— Avery! — Gritei.
Minha voz ecoou sobre a água.
— AVERY!
Nada respondeu além da floresta silenciosa.
Caí de joelhos.
Ela tinha ido embora.
E, a julgar pelo sangue, pelo dedo decepado, pela morte...
Talvez nem estivesse viva.
...
Ponto de vista de Avery
A viagem de barco durou dois dias.
Minha mãe e eu ficamos encolhidas no fundo da embarcação, revezando os remos. A correnteza fazia a maior parte do trabalho, mas ainda precisávamos desviar de pedras e árvores caídas.
Quando finalmente chegamos às terras humanas, minhas mãos estavam cheias de bolhas e em carne viva.
Mas tínhamos conseguido.
A cidade onde fomos parar era pequena e sem nada de especial.
Uma vila de pescadores, com prédios desgastados pelo tempo e ruas de terra.
As pessoas dali não fizeram perguntas. Bastou olharem para nós e apontarem na direção de uma pensão.
A proprietária também não perguntou por que estávamos ali, o que agradeci. Apenas nos mostrou um quarto minúsculo no segundo andar e avisou que o aluguel venceria no fim da semana.
O espaço mal comportava uma cama e uma pequena mesa. O papel de parede estava descascando, e as tábuas do piso rangiam.
Mas era nosso.
Minha mãe desabou sobre a cama assim que a proprietária saiu.
Sentei-me ao lado dela, encarando a parede.
Nós tínhamos conseguido.
Estávamos seguras.
Então por que eu me sentia tão vazia?
Nos dias seguintes, consegui trabalho em uma fazenda próxima.
O pagamento era péssimo, e o trabalho acabava com meu corpo, mas era suficiente para pagar o aluguel e a comida.
Minha mãe não conseguia trabalhar muito, mas a dona da pensão deixou que ela ajudasse na recepção em troca de jantares gratuitos.
Uma semana depois da nossa chegada, fui ao médico.
Foi a primeira vez que consultei um médico humano e, pela primeira vez, fui atendida sem preconceito.
Ele me examinou com cuidado, fez perguntas sobre minha saúde e não se importou com minha posição na alcateia, meu passado ou qualquer outra coisa.
Só se importava comigo.
E com meu bebê.
Quando terminou o exame, sorriu.

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