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A Luna Amada do Alfa Sem Coração romance Capítulo 32

Ponto de vista de Gideon

Os lobos renegados que havíamos capturado durante a nossa invasão na floresta estavam acorrentados contra a parede mais distante da nossa área de contenção. Seria ostentação chamá-la de masmorra. Na verdade, era apenas um galpão glorificado que normalmente guardava peças mecânicas.

Agora, ele abrigava três dos cães mais maltrapilhos e fedorentos que eu via em muito tempo. O estado desgrenhado deles contrastava com a forma coordenada com que haviam atacado, e essa incoerência me incomodava.

Mais uma vez, tive o pensamento perturbador de que deveria haver uma única pessoa coordenando seus movimentos...

Ou uma organização.

Eu estava perdendo tempo ponderando quando as respostas poderiam estar bem ali na minha frente. Estalei os dedos e observei os homens se contorcerem enquanto me viam me aproximar.

— Cavalheiros! — Meu tom sugeria que eu os considerava tudo, menos isso. — Algum de vocês já passou muito tempo em uma biblioteca?

As expressões vazias e confusas deles indicaram que isso era extremamente improvável.

— Bem, quando alguém precisa de informação, pessoas mais estudiosas vão à biblioteca e abrem as lombadas de alguns livros até encontrarem o que precisam. — Dei meu sorriso mais sinistro. — Confesso que uso um processo parecido quando preciso de informação. Só que as lombadas são mais literais.

Eles já estavam falando antes mesmo que eu terminasse de fazer o gesto que explicava o que eu queria dizer.

— Nós não sabemos de nada! — Um protestou ao mesmo tempo em que o outro dizia:

— Eu conto tudo o que você quiser saber!

Os dois se viraram para encarar um ao outro.

Fiz um gesto para Tegan começar a tomar notas e comecei a fazer minhas perguntas.

Quando terminei, fui direto para o quarto de Avery.

Ponto de vista de Avery

Meu sonho com Gideon ainda pulsava no meu sangue quando uma batida agressiva soou na porta do meu quarto.

— Um momento! — Gaguejei.

Quando abri a porta, me vi encarando o peito largo de Gideon.

Sem ser convidada, a lembrança do meu sonho sensual veio à mente. Fiquei morrendo de vergonha.

— Hm... — Engoli em seco e recuei quando Gideon entrou no quarto.

— Ainda dormindo? — Seus olhos varreram meu quarto, observando meus lençóis amarrotados e provavelmente suados.

— Quer se sentar? — Perguntei, sem jeito, mas Gideon, em vez disso, começou a rondar o perímetro do meu quarto, espiando os cantos e os vários títulos de livros que eu havia pegado emprestados da biblioteca da família dele.

Ele ignorou o convite.

— Acabei de ter uma longa conversa com alguns... Convidados. — Ele fez uma pausa e virou a cabeça para me observar. — Sabe o que eles disseram?

Balancei a cabeça, confusa. Eu não fazia ideia do que ele estava falando.

Gideon se aproximou.

— Quando você estava amarrada, disse que não conseguiu ver direito os renegados que a prenderam. Eles nunca chegaram perto de você?

Balancei a cabeça outra vez, imaginando como eu poderia explicar sem mencionar minha marca.

— Eles começaram a se aproximar, mas então fugiram. — Eu disse, permanecendo o mais perto possível da verdade. — Não sei por quê.

— Não sabe? — Gideon pareceu cético. — Porque os renegados que capturamos me contaram uma versão muito interessante desses acontecimentos.

Pisquei, me perguntando o que eles haviam dito. Então percebi o sangue nas mãos de Gideon.

Meus olhos se arregalaram, e encarei as mãos dele, depois seu rosto. Ele apenas me encarou de volta, esperando.

— Eu... Não me lembro... Isso é sangue? — Minha voz saiu um pouco aguda quando perguntei, sem querer saber a resposta.

Recuei lentamente, tropeçando de leve.

— Seu ferimento. — Gideon se inclinou para a frente, franzindo a testa. — Você ainda não pediu para o médico examiná-lo?

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