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A Luna Amada do Alfa Sem Coração romance Capítulo 37

A caligrafia era ilegível, ou... Quase isso. Apertei os olhos e ergui o papel contra a luz. Parecia uma antiga certidão de casamento? Mas a caligrafia era densa e desbotada. Coloquei-a de lado.

O papel seguinte era um recibo de um restaurante de comida para viagem. Coloquei aquilo na pilha de “não importante”. Então vi a anotação feita a caneta na parte inferior, circulando o nome do restaurante e dizendo: “Mudança de nome? Casada?”

Ah.

Aquilo era como perícia genealógica. Separei mais alguns papéis, começando a entender o tipo de conteúdo com que estava lidando.

Alguns tinham atualizações de nomes ou outras observações, enquanto a maioria eram comunicados oficiais de obituários, nascimentos e casamentos.

Também encontrei uma excelente receita de coquetel de alguém. Essa, coloquei no bolso.

Aquilo ia demorar.

Entrei no ritmo, colocando em ordem alfabética os nomes que encontrava e combinando-os com os registros familiares nos armários de arquivo.

Algumas horas depois, eu já tinha um rascunho de lista de quem eu achava que eram as famílias principais. Quais famílias tinham deixado a alcateia por causa de casamentos ou mortes. Era um começo.

Mas eu tinha algumas perguntas.

Pelo menos alguns dos registros haviam sido apagados, ou censurados, com tinta preta grossa. Esses, eu não conseguia entender de jeito nenhum.

Perguntei-me quem teria se dado ao trabalho de apagar alguém dos registros de forma tão completa. Havia mais de um lobo que tinha sido apagado. Seriam registros de lobos que haviam sido expulsos?

Ou talvez lobos que tivessem feito algo tão terrível que seus nomes não pudessem mais ser registrados?

Bocejei e belisquei os restos do meu jantar frio, que havia aparecido horas antes. Ali no porão estava um pouco gelado, e não havia janelas para olhar para fora.

Decidi sair para uma caminhada curta, me alongar um pouco, verificar as horas, depois voltar e terminar.

Quando saí, fiquei surpresa ao descobrir que já era bem no meio da noite. A lua crescente já descia atrás das árvores. Fiquei parada por um tempo no ar frio da primavera, esfregando os braços enquanto minha pele se arrepiava.

Sentei-me em um banco perto da parede e me recostei, esfregando os olhos.

Minha mordida estava doendo um pouco. Eu odiava admitir que Gideon estava certo, mas provavelmente precisava tomar mais cuidado para não mexer demais a perna.

Ali fora, no ar noturno, sozinha, foi a primeira vez em muito tempo que consegui simplesmente me sentar na natureza e aproveitá-la.

Ouvi os sapos cururus e os pássaros. Nem um dia antes, eu tinha estado amarrada em uma floresta muito parecida com aquela. Sequestrada por renegados.

Capítulo 37 1

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