Encarei minha caneca de chá. O rosto de Gideon continuava surgindo diante de mim. A intensidade de seu olhar quando disse que jamais me deixaria ir embora. Ele precisava de mim.
— Com certeza um lobo grande e forte como o Alfa Gideon não precisa aprisionar uma jovem adorável como você só para administrar sua alcateia, não é? — Sofia parecia estar lendo meus pensamentos.
— Não sei por que ele precisa de mim. — Admiti. — Além de cumprir alguma tradição antiga ou algo assim.
— Ah.
Sofia se levantou da mesa e foi para o outro cômodo.
— Venha comigo.
Levantei-me e me juntei a ela no cômodo ao lado, que estava tomado do chão ao teto por prateleiras de livros.
— Odeio vê-la presa entre sua palavra e seu destino. — Ela disse, de forma enigmática, colocando alguns livros com cheiro de mofo em meus braços. — Vamos adiar sua decisão até que esteja mais certa da própria mente, sim? Leve estes, dê uma olhada. Eles vão ajudá-la a entender melhor como usar sua magia.
Olhei curiosa para os títulos dos livros. *Sob a Lua Cheia*, *Selene, a Abençoada*, *Para Cavalgar uma Caçada Selvagem*, e um tomo enigmático intitulado *Panaceia Obscura*.
— Eles vão lhe bastar por um tempinho. Quando estiver pronta para mais, venha me ver e conversaremos.
Ela me seguiu de volta à cozinha e colocou a caneca de chá nas minhas mãos.
— Agora beba, e vamos levá-la de volta ao seu lobo.
Fechei os olhos e dei um gole. Quando os abri, a casa tinha desaparecido. Eu estava parada no campo perto da estrada, e Tegan acabava de sair do carro, parecendo preocupado.
— Não precisa se preocupar. — Falei, saindo do mato para o acostamento da estrada. — Estou bem aqui. Podemos voltar.
Quando retornamos à alcateia, passei algum tempo no meu quarto examinando os livros que Sofia havia me dado. Eram, em sua maioria, livros de cura, mas um deles era um tomo de invocações à Deusa da Lua e alguns rituais.


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