Teresa ficou paralisada no lugar, incapaz de acreditar no que via.
Marcos e Kate estavam abraçados.
Pela primeira vez, Teresa sentiu ódio por Marcos. Suas mãos agarraram firmemente a cortina, desejando arrancá-la para que os repórteres pudessem expor o caso dos dois.
"Mãe, deixa que eu levo as cinzas da vovó."
Ao ouvir a voz, Teresa olhou para trás. Adriano já estava ao seu lado, pronto para se esgueirar por entre suas pernas.
Uma corrente elétrica atravessou a mente de Teresa, trazendo de volta a lembrança de dezesseis anos atrás, quando ela própria vira o pai com a amante. Aquilo se tornara o pesadelo que a perseguia por anos.
Além disso, Adriano tinha apenas cinco anos.
Ela não podia permitir que ele passasse por aquilo. Segurou os ombros de Adriano, impedindo-o de agir. A cortina deslizou de sua palma, ocultando tudo o que acontecia no interior.
Nesse momento, Kate se agarrou a Marcos, mas ele a empurrou com força. Lutava contra o calor em seu corpo, os tendões das mãos saltados, os olhos tomados por um vermelho intenso e ameaçador.
"Marcos, deixa que eu te ajudo..." As palavras de Kate não deixaram dúvidas: era ela quem causava o sofrimento de Marcos.
Ele agarrou o pescoço de Kate, prendendo-a contra a parede.
Kate logo ficou sem ar, o rosto avermelhado, lutando inutilmente por respirar. Seus pés estavam a milímetros da urna das cinzas de Flávia.
Teresa se ajoelhou diante de Adriano, dizendo: "Adriano, você ainda é pequeno para carregar as cinzas. Quando crescer e se tornar um homem de verdade, será você quem conduzirá a cerimônia."
"Não, mamãe!"
Adriano, curioso e brincalhão, queria ver como eram as cinzas. "Eu já cresci, tenho muita força!"
Ele tentou se desvencilhar de Teresa. Ela ainda estava fraca após sair do hospital e não conseguiu contê-lo. Quando sua mão tocou a cortina, um estrondo soou de dentro.
Da multidão, Sara exclamou: "Quem está aí dentro?"
Ela entrou na sala levando Adriano. Os repórteres, ao ouvirem o barulho, romperam o bloqueio dos seguranças e invadiram o cômodo.
Atordoada, Teresa foi amparada por Sara, que a consolou: "Irmã, não importa quem tenha feito isso, meu irmão não vai deixar barato."
"Mas... onde está meu irmão?"
Ao ouvir isso, Teresa afastou a mão de Sara. Ninguém desaparece sem deixar rastro. Ela se lembrou de que havia uma porta dos fundos, encoberta pelo véu do salão.
Mesmo com as cinzas da mãe já recolocadas em uma nova urna,
Ela não os perdoaria. Só queria que pagassem pelo que fizeram, nada mais importava em seus olhos.
Ela abriu a porta dos fundos, onde uma trilha estreita se estendia. Cambaleando, seguiu até encontrar o Rolls-Royce de Marcos.
Ao se aproximar, logo ouviu suas vozes em meio à conversa.
"Como você ousa me seduzir no memorial da minha sogra?" A voz de Marcos transbordava raiva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Máscara do Casamento: Sinceridade e Engano
Por que escrevem que os capítulos são gratuitos e no entanto do 41 para frente estão todos bloqueados e tem que pagar? Por que mentir que são liberados?...