— Flávia topou o divórcio? — A sua voz saiu presa, demonstrando um nervosismo evidente.
— Sim. — Valentino acenou com a cabeça; as pupilas escuras mantinham-se passivas.
— Valentino, a avó... Será que Dona Maíra não gosta de mim? Ela não deixou que eu a chamasse de Vovó Monteiro e também não quis aceitar o presente da família Vasconcelos.
Heloísa baixou os olhos; seus cílios longos e encaracolados tremeram, e ela mordeu o lábio, tomada pela decepção.
Valentino esticou a mão e tocou no cabelo dela. — Vai ficar tudo bem.
O telefone tocou; Valentino baixou os olhos e, no momento em que ia desligar, ela agiu.
De maneira atenciosa e elegante, Heloísa falou: — Valentino, eu já melhorei, volte logo; hoje é o aniversário de Dona Maíra.
— Então eu vou indo. — Valentino saiu do quarto com o celular na mão.
Ele mal saíra e Senhora Mirella retornou, apressada: — Heloísa, como pôde deixar Valentino ir embora? Tem que dar um jeito de prendê-lo.
— Não precisa, mãe. — Heloísa curvou a boca em um tom de orgulho. — Valentino e Flávia Viana vão se divorciar em breve.
Senhora Mirella arregalou os olhos, sem conseguir acreditar, e aumentou a voz: — É sério?
Heloísa concordou.
— Será que Flávia Viana vai topar o divórcio numa boa?
— Se Valentino quer separar, ela não tem escolha! — As pupilas de Heloísa mostraram uma ferocidade.
Meia hora depois, no Solar dos Monteiro.
Assim que entrou, Valentino deu de cara com a avó, que exibia um olhar sério no sofá.

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