— Flávia, entra rápido, hoje Rafael acordou cedinho, disse que ia vir uma convidada importante e até foi ao supermercado comprar um monte de comida.
Dona Helena puxou Flávia para dentro. Ao ver que ela segurava sacolas e mais sacolas de presentes, a repreendeu:
— Era só vir, pra que trazer coisas? Aqui é a sua casa, não precisa de cerimônia.
— Dona Helena, é de coração, por favor, aceite.
Rafael pegou as sacolas da mão dela, deu uma olhada e levantou a voz de propósito.
— Chá Verde de primeira qualidade e até um tabuleiro de xadrez de jade!
Ele disse isso enquanto caminhava até o Mestre Xavier: — Uau, Flávia, onde você encontrou um tabuleiro de xadrez feito de uma peça inteira de jade? Deve ter custado uma fortuna.
— Desde que o Mestre goste, não importa o valor.
O Mestre Xavier deu uma espiada e bufou friamente: — Eu já tenho tabuleiros de xadrez de sobra aqui.
— Flávia, eu lembro que o Mestre Lauro também gosta de xadrez. — Rafael suspirou profundamente. — Se certa pessoa não quiser, é melhor dar para o Mestre Lauro, ele com certeza vai adorar.
Antes que a voz dele sumisse.
O tabuleiro e o chá nas mãos de Rafael foram arrancados por Mestre Xavier, que os entregou para Dona Helena.
— Guarde. — Em seguida, lançou um olhar frio para Flávia. — Não ache que pode me comprar com esses pequenos favores.
— Pronto, já te deram uma brecha, aproveita, senão quando a Flávia for embora você vai se arrepender. — Dona Helena deu um tapinha no ombro dele.
— Flávia, eu já tenho cosméticos sobrando, não compre mais da próxima vez.
— Está bem. — Flávia disse sorrindo.
— Meus pais ganharam presentes, só eu não? — Rafael passou a mão no nariz, se fazendo de rogado.
— Como não? Comprei gravata e abotoaduras para você.
Dizendo isso, Flávia foi pegar, e Dona Helena tomou um susto ao ver a mão direita dela.
— Flávia, o que aconteceu com a sua mão?

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