O período de reflexão do divórcio levaria mais um mês. Até lá, a barriga já estaria com mais de três meses e começaria a aparecer.
Se ele percebesse alguma coisa, seria difícil conseguir o divórcio depois.
Tinha que se apressar.
A ligação foi atendida, e Flávia falou sem conseguir esperar: — Alô, Valentino...
— Flávia, o Valentino foi tomar banho. — A voz cheia de arrogância de Heloísa saiu pelo altofalante do celular. — Se não há nada importante entre você e o Valentino, espero que não venha nos incomodar. Você também é mulher, precisa ter um pouco de noção de limites.
Antes que Flávia pudesse dizer algo, a ligação foi encerrada com um estalo.
— Ah. — Ela encarou a tela do celular e não conseguiu deixar de rir.
Heloísa estava insinuando que ela era a amante.
Se soubesse que havia entrado em contato com Valentino para discutir o divórcio, não se sabia se ela se arrependeria amargamente.
Sem pensar mais no assunto, entrou na sala de restauração e dedicou-se totalmente ao trabalho.
Sexta-feira ao meio-dia.
Flávia comeu algo simples e dirigiu até o prédio do Grupo Monteiro.
Parada na porta, olhou para o arranha-céu do Grupo Monteiro.
Havia passado apenas pouco mais de um mês, mas ela teve a falsa impressão de que fazia uma eternidade.
Entrou e caminhou com familiaridade na direção do elevador.
Deu dois passos e seu pulso foi agarrado com força.
Virou a cabeça e viu uma jovem de vinte e poucos anos. Olhou para o crachá dela: recepcionista da Monteiro.
— Sinto muito, senhorita. — A jovem soltou sua mão. — Você não é funcionária do Grupo Monteiro, tem horário agendado?
Flávia franziu a testa e balançou a cabeça. — Não.
— Sem agendamento não pode entrar. — A jovem fez um gesto com a mão apontando o caminho. — Você pode esperar um pouco no saguão.
Como também era trabalhadora, Flávia não queria dificultar as coisas para a jovem.
Ligou para o telefone de Valentino e ouviu a voz mecânica e fria da operadora.

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