Tiago era um fofoqueiro; se ele soubesse, toda a família Monteiro acabaria ficando sabendo.
Valentino olhou para o desleixado Tiago. — Saia.
Tiago levantou-se com preguiça e fez uma careta ao passar por Flávia.
Flávia já conhecia o temperamento dele há muito tempo; era um moleque que nunca amadureceu, com mente de criança.
Valentino encarou o irmão que espiava e falou novamente: — Feche a porta e saia.
Tiago fez bico e fechou a porta.
Os olhos escuros de Valentino encararam a mulher sem expressão. — O que foi?
— Como estão os preparativos para o Acordo de Divórcio? — Flávia foi direto ao ponto, com medo de imprevistos.
— Me espere na casa de casados na segunda-feira à noite — Valentino respondeu com a voz firme.
— Certo.
Flávia não ficou nem um pouco surpresa que Valentino tivesse concordado com o divórcio sem hesitar.
— Como entro em contato com você? — Flávia, já na porta, lembrou que seu número havia sido bloqueado por ele.
Valentino ergueu os olhos, parecendo confuso. — Você não tem o meu contato?
— Não chama, você me bloqueou. — A expressão de Flávia estava fria, sem demonstrar qualquer tristeza pelo ocorrido.
Uma dúvida passou pelo rosto do homem sentado na cadeira e, alguns segundos depois, ele se lembrou de algo.
Ele explicou: — Lembrei. Foi a Heloísa quem pegou o meu celular e bloqueou você.
Apesar da decisão de desistir de Valentino, Flávia sentiu um aperto no peito, respirou fundo e controlou suas emoções.
Valentino pegou o celular e a tirou da lista de bloqueio.
— Pronto.
Ao ouvir isso, a mulher saiu do escritório sem olhar para trás.
Ele largou a caneta-tinteiro, encostou-se na cadeira para relaxar e encarou a porta fechada por alguns minutos antes de voltar aos documentos.
Segunda-feira.
Flávia chegou à sala de restauração da Baoli.
Rafael a viu sorrindo e não resistiu em perguntar: — Ganhou na loteria? Por que essa alegria toda?

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