Passos soaram no corredor. Alberto parou na porta do centro cirúrgico, tomado por uma mistura de sentimentos.
Ele realmente havia amado Clarice, mas as pessoas mudam. O fato de não amá-la mais depois de um tempo também era verdade.
— Flávia, Clarice...
— Você não tem o direito de estar aqui! Vá embora! — gritou Augusto ao ver Alberto, com os olhos vermelhos e cheios de ódio.
— Augusto, eu só vim ver como ela está... — Alberto sabia que estava errado e falou com a voz baixa.
Augusto avançou de repente em direção a Alberto. Com uma mão, apertou o pescoço dele e falou com a voz carregada de ressentimento.
— Você não tem o direito de aparecer na frente dela! A sua presença só vai sujar a visão dela.
— Cof, cof, cof...
Alberto olhou para Flávia, esperando que ela dissesse alguma coisa a seu favor.
Mas ele se decepcionou.
Flávia nem sequer olhou para ele, muito menos o defenderia depois de tudo o que ele fez à mãe dela.
— O que você prometeu ao meu pai? Você disse que sempre cuidaria dela, que a trataria como um tesouro para o resto da vida!
— Mas como você a tratou? Ela arriscou a própria vida para te dar uma filha e você a traiu logo depois que ela engravidou! Trouxe a amante para dentro de casa, pegou o dote dela e vendeu as pinturas do meu pai!
— Ela é a filha mais velha da família Viana. Nossos pais sempre a mimaram. A única dificuldade que ela passou na vida foi tomar remédio quando estava doente. E agora, por causa de um canalha como você, ela está deitada naquela sala de cirurgia, entre a vida e a morte!
— Nossa família ajudou você a se estabelecer no mundo dos negócios, e o que você fez? Seu ingrato, você se virou contra nós e roubou nossos clientes!
Augusto tinha os olhos vermelhos de ódio. Lembranças da infância invadiam sua mente.
Clarice segurando sua mão com carinho, ensinando-o a praticar caligrafia com paciência.
Os dois irmãos brincando e se divertindo em casa.
E a vez em que ele quebrou um vaso antigo sem querer, e a irmã o escondeu atrás dela quando o pai ficou com raiva.
Augusto cerrou os punhos e deu vários socos no estômago de Alberto.
— Ah!

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