“Estefânia, confie em mim, desta vez, eu jamais soltarei sua mão.”
Ele prometeu isso.
Parecia até que falava consigo mesmo.
O olhar perdido de Estefânia moveu-se levemente. “Péricles, você mesmo acredita nisso?”
“Estou falando sério, Estefânia, acredite em mim.” Ele inclinou-se, puxando-a para um abraço. “Somos marido e mulher, fizemos votos no nosso casamento, prometemos que, na pobreza ou na doença, nunca largaríamos as mãos um do outro. Você se esqueceu?”
Estefânia soltou um sorriso irônico.
Ela, claro, não havia esquecido.
Homens eram assim: quando não tinham nada, esperavam que a esposa estivesse ao lado para enfrentar as dificuldades.
Mas, quando o coração deles já não estava mais ali, todos os votos e todo o amor pareciam uma piada.
E essas piadas já haviam acontecido muitas vezes.
Ela realmente não tinha mais forças para continuar participando daquela encenação com ele.
“Agora não somos mais marido e mulher. Esses tais votos e promessas já perderam todo o valor.”
“Mas agora temos um filho. Você não quer dar um lar completo para nosso filho, Estefânia?”
Estefânia sorriu.
Um sorriso frio, de escárnio.
Por causa de uma criança, ainda tentavam forçar dois que já não se amavam, ou até mesmo se odiavam, a ficarem juntos.
Que coisa sem sentido.
“Você está imaginando demais.”
Ela soou absurdamente fria.
Virou-se e saiu de perto dele.
Mas tudo diante dos olhos dela era pura escuridão; a direção que suas mãos buscavam não lhe dava um mínimo de segurança.
Ela vivia na escuridão, inquieta.
Até caminhar se tornara uma tarefa difícil.
Ele tentou segurá-la, mas ela recusou. “Não precisa.”
“Estefânia, não fique assim...” Ele sabia que, naquele momento, ela não conseguiria aceitá-lo, então chamou Gabriela para subir. “...Gabriela, cuide da Estefânia, vou entrar em contato com o médico.”
“Sim, senhor.”
Com Gabriela por perto,
Estefânia relaxou bastante.
Mas ficou muito silenciosa.

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