Voltar para casa?
Estefânia balançou a cabeça.
Ela não sabia onde ficava sua casa no além.
“Minha casa...”
“Será que perdeu a memória?” A jovem enfermeira pegou o prontuário ao lado da cama, examinou-o novamente e murmurou para si mesma: “Não sofreu nenhum trauma cerebral, por que está falando essas coisas sem sentido?”
Estefânia olhou para ela.
Seus olhos estavam cheios de inocência.
A enfermeira, incerta, lançou mais um olhar para Estefânia.
Depois de confirmar várias vezes, ela finalmente colocou o prontuário de lado.
“Que tal... descansar mais um pouco?”
“Senhorita enfermeira, onde estou agora? Em que etapa estou? Já atravessei a Porta do Além? Ainda não subi à Colina da Saudade? Eu ainda não tomei o Chá do Esquecimento, tomei?”
A enfermeira sentiu um calafrio nas costas ao ouvir aquilo.
Engoliu em seco.
“Sra. Moreira, é melhor parar de ler esses romances sobrenaturais, viu? Dá até medo. Agora descanse, tente dormir um pouco.”
Que estranho.
Por que será que a enfermeira não entendia o que ela dizia?
Estefânia ergueu o rosto.
Olhou para o teto branco.
Imaginava que, uma vez morta, não teria mais consciência, mas por que ainda se sentia como alguém viva?
Beliscou o braço com força.
“Ai...” Doeu, doeu muito.
Já havia se tornado um espírito, como ainda podia sentir dor?
Não fazia sentido.
Será que...
Seus olhos se arregalaram de repente, o olhar ficou mais atento.
Será que... ela havia renascido novamente?
Seria possível?
Ela se lembrava de que, no momento em que o teleférico despencou, uma luz muito forte apareceu.
Aquela luz... seria a porta para uma nova vida?
Se realmente tivesse renascido...
E Péricles?
Ele estaria vivo, ou teria morrido?
Será que ele também renasceria, assim como ela?
Sua mente estava um caos.


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