Estefânia havia fugido.
Temia ser desmascarada.
Ela reagira àquele beijo.
Sentiu-se envergonhada.
Como uma amante envolvida em traição.
Ficara excessivamente nervosa.
Ela saíra correndo do banheiro.
Cambaleando, esbarrou primeiro na senhora que entregava frutas, depois quase derrubou o garçom que trazia champanhe.
Seu nariz, teimosamente, voltara a sangrar.
Saiu dali em completo desalinho.
“Péricles, o que aconteceu com Estefânia? Vá ver como ela está.” Teresa mostrava-se preocupada.
Péricles, apoiando-se em uma bengala,
apressou-se em segui-la.
“Estefânia, pare aí para mim.”
Estefânia, pressionando o nariz, parou ao lado do carro. “O que foi?”
Ela mesma não sabia ao certo por que estava tão aflita.
Na verdade, nem deveria ter aparecido naquele dia.
“Seu nariz está sangrando, não está sentindo?” Ele lhe estendeu um lenço. “Vá ao hospital cuidar disso. Se continuar assim, você pode acabar anêmica.”
Suas palavras transpareciam preocupação.
Estefânia desviou o olhar: “Como um simples sangramento nasal causaria anemia? Você está exagerando. Eu vou embora. Aproveitem o aniversário da senhora Teresa. Daqui a pouco, volto para buscar o Fausto.”
“Ah, aliás, estou bastante ocupada hoje, ainda tenho um encontro arranjado. Se não aparecer alguém interessante, talvez eu considere me casar com o Felipe Carvalho. Afinal, Fausto gosta muito dele.”
“Na verdade, acho que você combina mesmo é com a Professora Cordeiro. Ela tem uma filha, você poderia ser pai sem esforço, seria ótimo. Desejo felicidades.”
Estefânia nem sabia ao certo o que estava dizendo.

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