Ivânia acenou para Tereza e deu partida no carro. O veículo saiu lentamente do pátio e mergulhou na noite.
Ivânia dirigia em uma velocidade constante.
Jefferson, sentado no banco do passageiro, permanecia em um silêncio frio. A luz dos postes ocasionalmente invadia a janela, deixando seu perfil bonito imerso em um jogo de luz e sombras.
O carro finalmente parou em frente ao Parque das Acácias.
Veículos de fora eram proibidos de entrar, então Ivânia teve que estacionar na beira da estrada.
— Chegamos. Vá com cuidado, Sr. Ortega — disse Ivânia, virando-se para Jefferson após parar o carro.
Jefferson a olhou, sem fazer menção de descer.
— Sr. Ortega... — A voz de Ivânia carregava confusão.
— Não vai dividir o chá comigo? Quer tudo para você? — Jefferson perguntou de repente.
Ivânia: ...
Reagindo, Ivânia virou-se imediatamente, pegou os pacotes de chá no banco de trás e empurrou tudo para Jefferson.
Jefferson pegou apenas um punhado e colocou o restante de volta no banco de trás.
— Isso é o suficiente. Se eu levar tudo, a Sra. Alcantara vai saber e pensar que estou intimidando você. — Jefferson disse isso, segurando o chá com uma mão e abrindo a porta com a outra para descer.
Ivânia ficou no carro, observando as costas dele desaparecerem de vista, antes de arrancar com o veículo.
Quando chegou ao seu apartamento no centro da cidade, já eram nove da noite.
Ela tirou a maquiagem, tomou banho, aplicou uma máscara facial e deitou-se na cama.
A noite de sono não foi ruim, não chegou a ter insônia, mas acordou assustada duas vezes sem motivo aparente.
Ivânia não tinha trabalho no dia seguinte e planejava dormir até mais tarde, mas foi acordada bem cedo pelo toque insistente do celular.
Ela sentou-se na cama esfregando os olhos e pegou o aparelho na mesa de cabeceira.
Vanessa percebeu então que o rosto de Ramiro não tinha cor alguma. Ele já não respirava.
— Ah! — Vanessa gritou de pavor.
Ivânia segurou Vanessa a tempo.
Por ter sido policial, Ivânia tinha muito mais coragem que Vanessa. Ela caminhou até a cama e examinou Ramiro.
O rosto do menino estava lívido, o corpo rígido; parecia ter falecido há algum tempo.
A expressão de Ivânia tornou-se sombria instantaneamente. Ela olhou com severidade para os pais de Ramiro.
— O que... exatamente aconteceu com o Ramiro?!
A mãe de Ramiro, Sabrina, estava descabelada, cobrindo a boca e chorando sem parar.
O pai de Ramiro também estava em estado deplorável, com as roupas rasgadas em alguns lugares, mas ainda mantinha alguma lucidez. Entre soluços, ele contou o que havia acontecido.

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