Mônica
Chegando em casa, depois de uma viagem silenciosa no carro, Ronald tira seu terno e j**a no sofá de maneira ríspida. Ele me pega pelo braço e sinto seus dedos afundar na minha carne.
— Mas que diabos está fazendo? – Pergunto assustada.
— O QUE VOCÊ ESTÁ TENTANDO PROVAR? FALANDO POR QUASE UMA HORA COM UM HOMEM, FEITO UMA VAGABUNDA!!
— Ronald ele é…
— NÃO ME INTERESSA O QUE ELE É, EU SÓ FIQUEI COM CARA DE IDIOTA NA FRENTE DOS MEUS AMIGOS, FAZENDO PIADA COMIGO, PORQUE NÃO CONSIGO NEM CUIDAR DA MINHA MULHER.
Ele grita a plenos pulmões com ciúmes de um homem gay, eu me assusto com sua maneira grosseira e assustadora de falar.
— Você está louco, ele é gay, pensei que soubesse disso! E não grite comigo assim, eu exijo respeito, Ronald!
— Primeiro, não me espera para jantar, segundo, procura pornografia de vadia na internet e terceiro, me desrespeita na frente de todos. O que vem a seguir?
— Quer saber, Ronald! Quando estiver mais calmo, eu volto a falar com você. Eu não vou discutir depois de você ter bebido.
Dito isso, viro de costas para ele, indo em direção ao quarto. Mas antes de conseguir chegar lá, sinto meus cabelos serem puxados para trás e ele fala no meu ouvido num tom de ameaça.
— Eu te dei tudo, roupas, jóias, carro e uma bela casa. E tudo que eu espero de você é que seja educada, bem arrumada, que me respeite e me obedeça, como sempre fez. Não é hora de colocar as asinhas para fora, ou não será agradável para você, Mônica!
Luto contra seu aperto e desconheço o homem que passei os últimos 10 anos da minha vida. Ele me solta, e o olho com tristeza e medo.
— O que foi que deu em você? Porque está agindo feito um babaca descontrolado esses dias?
Antes que eu diga mais alguma coisa, ele me dá uma bofetada no rosto!
— Mônica, me desculpe! Eu… eu não queria ter feito isso… me perdoa?
Ele me puxa para seu abraço e meu rosto queima com o tapa que levei gratuitamente. Fico imóvel, minha garganta queima e deixo o choro sair.
— Me perdoa Mônica, por favor, foi errado da minha parte!
Saio do seu abraço e corro para o quarto me trancando no banheiro. Olho a marca de sua mão bem desenhada na minha bochecha, e não sei mais quem é Ronald, claramente não é o homem paciente e amoroso que conheci. Me lembro das marcas que Isa tinha no corpo, e agora sou eu. Quem são eles? O que deu neles?
Agora mais que nunca, quero ajudá-la a não passar mais por isso, e quanto a Ronald, ele vai pagar por ter feito isso comigo.
[...]
Ajudei Isa a conseguir o dinheiro, e para a surpresa de todos, e menos a minha, ela conseguiu fugir. Teve uma comoção na cidade, jornais locais falavam sobre sequestro, mas Romeu não nos deu detalhes.
Eu precisei fingir de inocente e mesmo todos perguntando se eu sabia de algo, não disse nada e me fiz de abalada.
Ronald está cada dia mais estranho, então eu não dou margem para brigar. Ele diz estar arrependido do tapa que me deu, porém anda nervoso e preocupado, recebe ligações afastado de mim, ele nunca me escondeu ligações de trabalho. Sempre está respondendo mensagens, chega em casa com os cabelos molhados, e não sei se é impressão minha, mas com um perfume feminino, mas nunca é o mesmo perfume.
Desconfio que ele esteja me traindo, então hoje decidi enfrentá-lo. Liguei para a empresa e a secretária disse que ele não estava, assim como nas últimas vezes. Notei que ele está em reunião sempre no mesmo horário, então já sei o que vou fazer.
Faço uma torta que ele gosta e vou sem avisar em seu escritório. Chegando lá, a secretária não está em seu posto, e vou direto para a sua sala. Ouço gemidos vindo de dentro, e abro bem devagar a porta, e aí vejo uma cena que me deixou sem fôlego e extremamente chocada. A mulher está debruçada na mesa, com papéis jogados para todos os lados e meu marido comendo ela por trás. Quase deixo a torta cair no chão, mas bem no fundo eu sabia que alguma coisa estava acontecendo. Eu penso em entrar e acabar com a palhaçada, eu bater nos dois ou matá-lo, mas ao invés disso, eu pego meu celular e filmo a cena. Segundos depois volto para casa, mas nem sei em que momento entrei no carro e dirigi até aqui. Repasso na minha cabeça inúmeras maneiras de acabar com tudo, pedir o divórcio e ir embora. Então entendo perfeitamente Isa, como ela planejou tudo.
Então eu esfrio a cabeça e vou planejando meu passo a passo. Primeiro vou juntar o máximo de dinheiro possível, e decidir para onde ir, e ter certeza de que não estou agindo injustamente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A mulher mais velha - Na mira dos garotos.