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A Noiva Quebrada do Mafioso romance Capítulo 2

Ava

“Você vai mesmo usar isso amanhã?”

A voz da minha irmã cortou o silêncio do quarto como uma faca afiada. Eu estava diante do espelho, de lingerie, provando pela milésima vez o vestido de noiva que já não me cabia direito, tentando mentalmente convencer meu corpo a parecer menos… tudo. Menos inchado, menos pesado, menos vergonhoso.

Mas é claro que Scarlett apareceu para me lembrar da realidade. Ela encostou na porta com os braços cruzados e aquele sorriso cínico colado no rosto como batom barato.

Scarlett: “Ava, honestamente, você vai se casar ou ser enterrada viva naquele pano?”

Engoli seco. Virei de lado, tentando ver meu reflexo sob outro ângulo. Ainda era horrível.

Ava: “É o que tem pra hoje. A costureira fez o que pôde.”

Scarlett: “Claro. Milagres não são o forte dela, né?”

Ela riu. Sozinha. Como sempre fazia quando zombava de mim. Eu deveria estar acostumada. Scarlett sempre foi a estrela. A filha perfeita. Magra, alta, com aquele sorriso de comercial de pasta de dente. Não é atriz, mas vive de fingimento.

Scarlett: “Sério… o Brian ainda vai te querer depois de te ver assim? Porque, se fosse comigo, eu largava no altar com gosto. Você parece um balão vestido de noiva.”

A frase bateu como uma bofetada. Mas antes que eu pudesse responder, a porta se abriu mais uma vez. E claro… ela.

Minha mãe.

Sempre com o perfume exagerado, a maquiagem impecável e o veneno nos olhos.

Mãe: “Que gritaria é essa aqui?”

Scarlett: “Só comentando o vestido da Ava. Tá lindo. Se o casamento fosse temático de circo.”

Mãe: “Scarlett…”

Ela disse com a voz doce, mas com aquele olhar cúmplice. Elas se entendiam por olhares. A mãe que sempre me desprezou e a filha que foi moldada para me substituir.

Mãe: “Não seja cruel com sua irmã… pelo menos não em voz alta.”

Riram. As duas.

Eu quis sumir. Quis desaparecer dali. Rasgar aquele vestido ridículo, gritar, quebrar tudo. Mas não fiz nada. Eu apenas fechei os olhos.

Mãe: “Ava, querida, se você tivesse se cuidado mais… se não tivesse comido como um pedreiro nos últimos meses, não estaríamos passando por esse tipo de vergonha. Você não é mais uma menina, precisa ter postura, precisa manter o homem ao seu lado.”

Ava: “Eu perdi um filho. Vocês se esquecem disso com facilidade, né?”

Scarlett: “A gente lembra. Só que você não precisa carregar o luto na balança, né? Você já perdeu o bebê, não precisa perder o noivo também.”

Ela falou com um sorriso no canto dos lábios. Como se o sofrimento alheio fosse um passatempo para ela. Como se eu fosse a piada de uma reunião de família que ela jamais deixaria morrer.

Mãe: “Scarlett tem razão. O Brian é um bom partido. Lindo, bem-sucedido, elegante. Ele merece uma mulher à altura.”

E então ela completou com a frase que me destruiu de vez:

Mãe: “Você era essa mulher, Ava. Antes.”

A palavra "antes" ficou girando na minha cabeça como uma sentença. Antes do luto. Antes da dor. Antes de eu perder meu bebê. Antes de eu me perder.

Meu pai estava sentado no sofá, em silêncio, com o jornal nas mãos. Ele não olhava pra mim. Nunca olha. Ele só estava ali de corpo. A mente dele sempre fugiu dos problemas. Especialmente os meus.

Ava: “Pai…”

Ele apenas baixou o jornal, deu um suspiro impaciente e disse:

Pai: “Amanhã é um dia importante. Vamos manter a aparência, por favor.”

Aparência.

Sempre foi sobre isso. Nunca sobre mim.

Me vesti em silêncio, sentindo a garganta queimar. Minhas mãos tremiam. Não era só raiva. Era tristeza. Uma tristeza tão profunda que não cabia mais no meu peito. Uma tristeza que eu carregava no corpo, nos ombros curvados, nas olheiras fundas, na alma exausta.

Capítulo 2 – Como se eu já não estivesse no chão 1

Capítulo 2 – Como se eu já não estivesse no chão 2

Capítulo 2 – Como se eu já não estivesse no chão 3

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