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A Noiva Quebrada do Mafioso romance Capítulo 3

Ava

O salão estava cheio.

Luzes suaves, flores brancas emoldurando cada canto, arranjos impecáveis, como se fossem parte de uma propaganda de revista de luxo. Eu conseguia ouvir os sussurros. O tilintar de taças. O ranger sutil das cadeiras quando alguém se ajeitava nervoso.

A porta ainda estava fechada.

Atrás dela… o mundo.

E eu?

Vestida de noiva.

Com o coração apertado.

E a intuição gritando dentro de mim como uma sirene quebrada.

Scarlett ajeitou meu véu com um falso sorriso nos lábios.

Scarlett: “Relaxa, Ava. Não é como se ele fosse fugir… ainda.”

Ela riu. De novo sozinha. De novo debochada.

A maquiadora me lançou um olhar de pena. A organizadora do evento evitava me encarar diretamente. E minha mãe… bem, minha mãe estava preocupada demais se o batom dela combinava com os brincos para perceber que a filha estava à beira de um colapso emocional.

E então a música começou.

A marcha nupcial.

Suave. Solene. Implacável.

As portas se abriram.

E eu entrei.

Pisei no corredor como quem caminha por um campo minado.

Olhos em mim. Muitos. Todos.

A maioria curiosos. Alguns constrangidos. Alguns… claramente esperando o desastre.

Meus dedos tremiam no buquê. A barra do vestido parecia mais pesada a cada passo.

Mas eu fui. Um. Passo. De. Cada. Vez.

E então, lá na frente… o altar.

Vazio.

O vazio que gritou mais alto do que qualquer música.

Brian não estava lá.

Minhas pernas quase cederam.

Parei no meio do caminho, sem saber se devia continuar ou recuar.

A organizadora correu até o altar, sussurrando algo no ouvido do padre. O padre empalideceu. Scarlett mordeu os lábios tentando segurar uma risada. E minha mãe…

Minha mãe abaixou a cabeça. Envergonhada não por mim. Mas por ela mesma.

Como se eu fosse um fracasso público. Como se eu tivesse envergonhado o vestido. A igreja. A família.

E então veio o anúncio.

Padre: “Senhoras e senhores… parece que houve um contratempo.”

Contratempo.

É assim que eles chamam quando alguém te abandona no altar?

Um contratempo.

Minhas mãos começaram a suar. Meu rosto pegava fogo.

E eu fiquei ali. Parada. Vestida de noiva.

Humilhada. Ridícula. Rejeitada.

Mais uma vez.

As pessoas começaram a cochichar. Alguém tirou o celular para gravar. Eu ouvi a frase:

“Meu Deus, ela foi largada.”

E então, uma gargalhada abafada. Não sei se foi minha irmã ou alguma amiga dela.

Pouco importa.

Meus pés se moveram por instinto. Não lembro se corri ou andei. Só sei que saí.

Deixei o buquê cair no chão. O véu foi arrancado pelas mãos trêmulas. E eu atravessei a porta de vidro com o rosto em chamas.

Chovia.

Claro que chovia.

Entrei no primeiro táxi que parei na rua, com o vestido todo molhado, o rosto borrado e a dignidade escorrendo pelos ombros.

Taxista: “Pra onde, moça?”

Ava: “Um bar. Qualquer bar.”

Ele não perguntou mais nada. Apenas dirigiu.

Minutos depois, eu estava sentada num balcão barato, rodeada por cheiro de cigarro velho e madeira molhada, ainda com o vestido branco colado ao corpo.

O barman me olhou com espanto.

Barman: “Você veio de um funeral ou de um casamento?”

Capítulo 3 – Vestida para o fim 1

Capítulo 3 – Vestida para o fim 2

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