Pamela
Acordei com uma sensação estranha.
Algo quente e pesado me envolvia.
Meu corpo estava sendo esmagado.
Pisquei algumas vezes, sentindo meu rosto contra o travesseiro, e tentei me mexer… mas não conseguia.
Foi então que percebi.
Caleb estava abraçado a mim.
Minhas costas estavam pressionadas contra seu peito, seus braços fortes me apertando como se eu fosse um maldito travesseiro de corpo.
E, para piorar, eu estava só de lingerie.
Lembrei vagamente de ter tomado um banho rápido antes de cair na cama de pura exaustão.
Mas como diabos ele veio parar aqui?!
Minha paciência já tinha se esgotado na noite passada.
Eu não ia acordá-lo de forma gentil.
Com toda a força, empurrei Caleb para longe.
Ele se desequilibrou, soltou um grito e caiu da cama com um baque alto.
Sorri satisfeita.
Ele merecia.
— Mas que porra…? — Caleb resmungou do chão.
Me levantei sem dizer uma palavra e fui direto para o banheiro, pisando firme.
— Bom dia pra você também, Pamela! — ele exclamou com ironia.
Revirei os olhos.
— Não dirija a palavra a mim.
— Ué? O que foi que eu fiz? — Ele parecia realmente confuso.
Isso só me irritou ainda mais.
Parei na porta do banheiro e me virei para encará-lo.
— Se quer saber, tente lembrar sozinho. Hoje, eu não quero sequer ouvir sua voz, tá legal? Você me deixa brava só de respirar perto de mim, só de estar no mesmo ambiente que eu! Então, por favor, não olhe para mim, não fale comigo e nem sequer pense em mim!
Antes que ele pudesse responder, bati a porta do banheiro e liguei o chuveiro no máximo.
Fiquei debaixo da água quente por vários minutos, tentando lavar minha irritação.
Mas não adiantava.
O Caleb da noite passada ainda me assombrava.
Quando finalmente terminei, me enrolei na toalha e saí do banheiro.
Ao abrir a porta, vi Caleb parado perto da mesa, recebendo uma encomenda.
Ele assinou algo e pegou um saco grande de papel.
Quando me viu, sorriu.
— Café da manhã.
Ignorei completamente e fui para o quarto.
Meu plano era me vestir e sair dali antes que ele inventasse alguma desculpa para se aproximar.
Mas, pelo visto, ele estava determinado a me irritar ainda mais.
— Pamela, vem tomar café comigo.
Bufei.
— Sem chance.
Peguei minha roupa e comecei a me vestir.
— Por favor, deixa eu te explicar o que aconteceu ontem.
Revirei os olhos.
— Explicar o quê, Caleb? Eu fiz o jantar, te esperei a noite inteira. Mas quando finalmente desisti de ser feita de trouxa, recebi uma ligação dizendo que você, o meu marido, estava bêbado num bar e que eu precisava ir te buscar!
O silêncio tomou conta do ambiente.
Virei para encará-lo, esperando mais uma das suas desculpas ridículas.
Mas, para minha surpresa, ele respirou fundo, passou a mão pelos cabelos bagunçados e disse as únicas palavras que eu nunca esperei ouvir sair da boca dele:
— Me desculpe, Pamela.
Eu congelei.
Será que eu ouvi direito?
Caleb Belmont pedindo desculpas?
— O quê? — perguntei, sem conseguir disfarçar minha surpresa.
Ele olhou diretamente nos meus olhos.

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