Pamela
— Eu não quero que isso seja apenas um contrato.
As palavras dele ainda ecoavam na minha mente.
Eu pisquei algumas vezes, tentando absorver o que ele havia acabado de dizer.
— Como assim? — perguntei, minha voz soando mais hesitante do que eu gostaria.
Caleb me olhava com seriedade, os olhos fixos nos meus, como se já tivesse tomado uma decisão.
— Quero dizer que a gente não precisa ser casado apenas no papel.
Ele se inclinou um pouco para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
— Nosso casamento já foi consumado.
Meu coração disparou.
Ele estava falando do que aconteceu entre nós naquelas noites em que nos entregamos um ao outro sem pensar no amanhã.
— Podemos fazer isso dar certo. — ele continuou.
Minha garganta secou.
— Até o final do contrato?
Caleb balançou a cabeça.
— Não, Pamela.
Minha respiração ficou presa.
— Eu quero ficar com você.
Meu peito se aqueceu com aquelas palavras.
Mas então…
— Sempre soube o que sentia por mim. E então, eu quero fazer as suas fantasias se tornarem realidade. Podemos ser parceiros.
Parceiros?
Minha mente se embaralhou.
Algo estava errado.
Muito errado.
Franzi a testa, tentando entender onde ele queria chegar.
— Está dizendo para continuarmos com o casamento… mas sem amor?
Ele assentiu lentamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Exatamente.
O impacto daquelas palavras me atingiu como um soco no estômago.
Por um instante, por um mísero segundo…
Eu pensei que ele pudesse me amar.
Que todo esse tempo juntos tivesse mudado algo dentro dele.
Que talvez, no meio desse caos, ele tivesse se apaixonado por mim.
Mas eu estava errada.
Muito errada.
Ele não queria amor.
Ele queria conveniência.
Ele queria meu corpo.
Apertei os punhos embaixo da mesa, tentando manter a compostura.
— Então é isso? — minha voz saiu mais fria do que eu pretendia. — Você quer que eu continue sendo sua esposa, mas sem sentimentos? Só… parceiros na cama?
Caleb sustentou meu olhar, como se estivesse me desafiando a contestá-lo.
— Não vejo problema nisso.
Meu sangue ferveu.
— Não vê problema? — repeti, incrédula.
Ele realmente não via nada de errado nisso?
— Pamela… — ele suspirou. — Eu sei que a gente tem química. Você sente o mesmo que eu. Não precisa negar.
Eu quis rir.
Química?
Claro, havia desejo entre nós.
Mas isso não significava que eu aceitaria ser apenas um objeto de prazer para ele.
— E quanto a você? — perguntei, sem desviar o olhar.
Ele franziu a testa.

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