Pamela
Eu saí da sala dele com o gosto dele ainda nos meus lábios e um nó preso na garganta. Meus passos eram rápidos, quase apressados, como se quisessem fugir daquilo que meu coração ainda não tinha coragem de encarar. O som dos meus saltos contra o piso frio era a única coisa que me mantinha firme. Eu não podia desabar ali. Não agora.
O problema é que eu não estava chateada com Caleb. Estava chateada comigo. Por me entregar. Por querer tanto alguém que me vê apenas como um corpo disponível. Eu sou melhor do que isso. Ou pelo menos era. Antes dele.
Voltei para minha mesa tentando me concentrar, tentando parecer inteira, mas por dentro… eu estava um caos. As horas se arrastaram até o fim do expediente, e quando o relógio bateu seis da tarde, não tive coragem de ir direto para casa. Eu precisava respirar. Pensar. Me entender.
Saí andando pela rua sem rumo certo, o vento bagunçando meus cabelos e meus pensamentos. Foi então que meu celular vibrou no bolso da jaqueta. Olhei a tela e, pela primeira vez naquele dia, um sorriso escapou dos meus lábios.
Melissa.
— Puta que pariu, até que enfim! — atendi, com a voz meio embargada.
— Eita, calma! Já tô sentindo o drama daqui. Tá tudo bem?
— Não. Tá tudo uma merda — confessei, respirando fundo.
— Onde você tá?
— Na rua. Andando sem rumo igual protagonista de novela mexicana.
— Então vamos pra balada. Coloca um salto, uma roupa curta e vem afogar essa decepção amorosa no álcool. Tô morrendo de saudade de você, amiga.
— Você leu minha mente — sorri de leve. — Te mando o endereço assim que eu decidir onde.
— Combinado. Quero você bêbada e contando tudo nos mínimos detalhes.
Desliguei e caminhei de volta para casa com uma sensação diferente. Eu precisava da Melissa. Ela era meu porto seguro, minha válvula de escape. Talvez, com ela, eu conseguisse entender o que diabos estava acontecendo comigo.
Assim que entrei no apartamento, dei de cara com Caleb... sentado no sofá, lendo um maldito livro como se fosse o dono do meu mundo.
— Boa noite — ele disse, com a voz calma, mas os olhos atentos.
Eu não respondi. Não consegui. Se eu abrisse a boca, talvez dissesse tudo o que estava engasgado. Que ele estava me destruindo aos poucos. Que aquele desejo que ele plantou em mim estava crescendo, sufocando, me queimando por dentro.
Fui direto para o quarto, bati a porta, e comecei a tirar a roupa com pressa. Entrei no banho e deixei a água cair sobre mim como se pudesse lavar tudo o que eu sentia. Como se a água pudesse arrancar dele da minha pele. Mas não adiantava. Era como se ele tivesse se gravado em mim.

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