Pamela
O cheiro do café era forte, mas não o suficiente para me fazer esquecer o gosto amargo na boca. A ressaca ainda martelava na minha cabeça, e o silêncio entre mim e Caleb deixava tudo ainda mais pesado.
Estávamos sentados à mesa, frente a frente, e eu mal conseguia olhar para ele. A noite anterior insistia em voltar como flashes desconexos: a dança que não aconteceu, o cara que me puxou, Caleb chegando... e eu desmaiando feito uma adolescente inconsequente.
Ele não disse nada desde que acordei. Apenas preparou o café, colocou o prato na minha frente e se sentou. Queria interpretar aquilo como uma gentileza genuína, mas a parte mais machucada de mim gritava que era só mais uma jogada para me levar de volta pra cama dele.
Mas isso não vai acontecer de novo. Eu não vou mais me permitir ser usada.
Foi quando a campainha tocou.
Eu ergui os olhos, surpresa, mas Caleb se levantou rapidamente e foi até a porta. A expressão dele mudou no instante em que viu quem estava do outro lado.
— Pai?
Me ajeitei na cadeira, confusa. O pai de Caleb entrou com passos duros, o rosto ruborizado pela raiva, e um jornal dobrado na mão. A tensão tomou o ar como eletricidade prestes a explodir.
— Você passou de todos os limites, Caleb!
— O quê? — Caleb tentou entender. — O que aconteceu?
O homem avançou e jogou o jornal no peito dele. A capa escancarava a manchete:
“Herdeiro dos Belmont é flagrado carregando mulher bêbada para fora de balada de luxo”
A foto era nítida. Caleb, com expressão séria, me carregando nos braços, com a cabeça caída para o lado.
Meu estômago se revirou.
— Quem é essa mulher, Caleb?! — ele rugiu. — Por que você estava numa balada? Você tem noção da vergonha que causou? Isso está em todas as redes, na TV, na internet. Uma bomba!

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