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A noiva substituta do Ceo romance Capítulo 47

Pamela

O som das malas sendo fechadas ecoava no quarto como pequenas marteladas na minha consciência. Eu me movia devagar, sem vontade, como se cada dobra de roupa me lembrasse do motivo pelo qual eu ainda estava casada com Caleb.

Não por amor, embora meu coração fosse teimoso.

Mas por necessidade.

O acordo com a família Belmont garantia que eu não perderia a casa que foi dos meus pais… e mais do que isso, a mesada que minha madrasta e minha irmã recebiam mensalmente. Era estranho — eu odiava ambas, mas odiava ainda mais a ideia de ver minha família, por pior que fosse, afundar por minha causa. Era como estar presa a uma corrente invisível, feita de obrigações e culpa.

— Você não precisa arrumar nada — a voz de Caleb me tirou dos meus pensamentos. Ele apareceu na porta, apoiado com indiferença no batente, usando aquela camisa branca que sempre deixava os braços dele ainda mais atraentes, o que só me irritava mais.

— Como assim?

— Alguém vai vir organizar tudo. Suas roupas, seus livros, seus sapatos… vão levar tudo. Você só precisa se vestir e entrar no carro.

— Claro — murmurei, voltando a dobrar uma blusa com mais força do que o necessário. — Tudo resolvido, né? Como se eu fosse mais uma das suas aquisições.

Ele ficou em silêncio por um tempo. Talvez sentisse o peso das palavras. Ou talvez não se importasse. Com Caleb, eu nunca sabia.

O que eu sabia é que assim que colocássemos os pés na casa dos Belmont, eu teria minha decisão clara: Caleb ia dormir no sofá. Se ele quisesse uma esposa troféu, que pelo menos entendesse que esse troféu não seria mais usado à noite.

Por mais que eu o amasse — e isso doía só de admitir —, eu não aguentava mais essa sensação de ser usada. Um corpo bonito numa embalagem elegante. Uma mulher que ele queria quando desejava, mas nunca quando precisava sentir.

A viagem até a mansão foi silenciosa.

O carro deslizou pela estrada privada como se o mundo lá fora não existisse. Árvores perfeitamente podadas, uma fonte no centro do caminho, e então… a casa.

Não, não era uma casa. Era uma obra de arte.

Um palacete branco com colunas altas, janelas enormes, jardins desenhados como se saídos de um conto de fadas. Havia estátuas de mármore, uma piscina cristalina e até uma pequena estufa com flores de todas as cores. A perfeição me sufocava. Eu era só uma intrusa ali. Uma obrigação.

Mas quando saímos do carro, ela apareceu.

Vitória Belmont, minha sogra.

Ela era tudo o que eu imaginava de uma Belmont: alta, esguia, cabelos grisalhos penteados impecavelmente num coque baixo, e olhos verdes que não pareciam envelhecer nunca. Elegância pura. Vestia um vestido bege claro, cinturado, com joias discretas mas absurdamente caras. E, para minha surpresa, sorria para mim com sinceridade.

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