Caleb
O envelope estava em cima da minha mesa como se tivesse vida própria. Branco, comum, mas pesado como uma pedra no meu estômago. O logo discreto do laboratório no canto superior esquerdo era a única pista do que havia ali dentro: a verdade. A resposta para uma pergunta que vinha corroendo meus pensamentos há semanas.
Eu respirei fundo, o coração batendo alto demais no silêncio do meu escritório. Estava sozinho ali, atrás da mesa, com as persianas parcialmente fechadas e o peso do mundo nos ombros. O relógio da parede fazia tique-taques irritantes. Minha mão tremia. Eu nunca fui de ter medo de um pedaço de papel, mas aquele... aquele podia mudar tudo.
Peguei o interfone e disquei.
—Pamela entra — pedi à ,minha esosa/secretaria gostosa, tentando soar calmo. Mas a voz saiu arranhada, carregada demais.
Segundos depois, ouvi a porta se abrir, e ela entrou com o salto firme no piso de mármore. Vestia aquele vestido preto justo, simples, mas que nela parecia obra de arte.
— Pois não, senhor Belmont? — ela disse com aquela ironia que era quase uma defesa.
— Tranca a porta, por favor.
Ela arqueou a sobrancelha e cruzou os braços.
— Olha, se for tentar transar comigo aqui, desiste. Tô sem saco pra isso hoje.
Eu soltei um meio sorriso, mesmo sem vontade. Ela me tirava do sério de todos os jeitos possíveis.
— Não é isso. É... — Eu mostrei o envelope. — O teste de DNA. Pra saber se a criança é mesmo minha.
Ela descruzou os braços, o olhar suavizando um pouco.
— Ah. Tudo bem. — Veio até a poltrona em frente à minha mesa e sentou. Cruzou as pernas devagar.
Sentei também, mas continuei com o envelope nas mãos.
— Se esse menino for realmente meu filho... nosso casamento...
— Nosso casamento o quê? — Ela inclinou a cabeça. — Acho que não pode ficar pior do que ele já é.
Aquilo doeu. Mas eu merecia. Engoli seco.
— Pamela... você realmente não sabe, né?
— Não sei o quê?

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