Caleb
Ela ainda estava perto. O gosto dos lábios dela ainda estava nos meus. O perfume ainda pairava no ar entre nós. Eu podia jurar que, se estendesse a mão, tocaria de novo aquele momento... mas Pamela deu um passo para trás.
— Caleb, é melhor eu voltar a trabalhar. — A voz dela saiu baixa, firme, mas com uma rachadura que só quem ama reconhece.
Meu peito apertou.
— Por favor, Pamela... não vai.
Ela virou de costas, os ombros tensos.
— Por favor, Caleb, me deixa em paz. Por favor.
Minha garganta travou. Mas eu não podia deixá-la sair assim. Não depois do que senti naquele beijo. Não depois do que carreguei calado por tanto tempo.
— Pamela, eu tô apaixonado por você.
Ela congelou no meio do caminho. E então se virou devagar. O olhar dela encontrou o meu com uma mistura de choque e descrença.
— O quê?
— Você me deixa louco — continuei, dando um passo na direção dela. — Completamente louco. E nem percebe que eu te amo.
Ela piscou algumas vezes, como se tentasse assimilar. O tempo parou ali entre a gente.
— Você me ama? — sussurrou, como se a ideia fosse absurda demais pra ser real.
Eu não hesitei. Cruzei a sala em dois passos e puxei-a de volta para mim.
— Sim. Eu te amo, Pamela. Amo muito.
Beijei-a de novo, e ela retribuiu. Com mais intensidade, mais verdade. Como se por um segundo ela também estivesse se permitindo sentir. Meus dedos se enroscaram no cabelo dela, e a sensação era tão certa, tão boa, que tudo o resto desapareceu.
Mas então ela se afastou. Os olhos cheios de emoção.
— Eu... tô confusa.
— Confusa por quê? — perguntei, a voz carregada de urgência.
Ela não respondeu. Apenas virou de novo, mais rápido desta vez, e saiu do escritório, fechando a porta com firmeza.
Fiquei ali, parado. Depois me sentei na cadeira, como se meu corpo tivesse sido desligado. A sala parecia maior, mais fria sem ela.
Passei a mão pelos cabelos, frustrado. O que eu fiz de errado? Fui sincero. Falei o que senti. Beijei como se fosse a última vez, porque talvez fosse mesmo.
Mas talvez... talvez ela não estivesse pronta.

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