Pamela
As mãos de Caleb deslizavam pela minha blusa, os dedos dele brincando com cada botão como se tivesse todo o tempo do mundo para me deixar louca. Meu coração estava disparado, e eu só conseguia pensar em como era insano a gente arriscar daquele jeito, ali, no meio do expediente. Mas era exatamente isso que me deixava molhada, ansiosa, como se cada segundo fosse proibido demais para ser ignorado.
Eu sentia a respiração quente dele contra o meu pescoço, os lábios deslizando pela minha pele, e minha blusa já estava aberta o suficiente para mostrar o sutiã. Quando percebi que ele estava prestes a abri-lo também, meu corpo se arqueou involuntariamente, implorando por mais.
E foi aí que ouvi as batidas na porta.
Secas. Urgentes. Irritantes.
Congelei. Meus olhos voaram para os dele, e por um instante a gente só ficou em silêncio, respirando fundo, como se torcendo para que a pessoa desistisse. Mas as batidas vieram de novo, mais insistentes.
— Droga… — murmurei, tentando abotoar a blusa de novo com as mãos trêmulas. — Acho que teremos que continuar em casa.
Caleb riu, aquele riso baixo, rouco, que sempre fazia minhas pernas enfraquecerem.
— Eu passo na sua sala mais tarde, senhorita Monteiro — ele sussurrou contra meus lábios, roubando mais um beijo rápido, intenso demais para ser breve.
Antes que eu pudesse responder, as batidas se transformaram quase em pancadas.
— Já vai — Caleb resmungou, ajeitando a gravata e passando a mão pelos cabelos como se quisesse apagar qualquer evidência do que tínhamos acabado de quase fazer.
Eu respirei fundo, terminei de abotoar a blusa e me sentei ereta, tentando parecer minimamente profissional, embora eu ainda sentisse meu corpo latejando de desejo.
Quando Caleb abriu a porta, lá estava ela: a nova secretária dele. Uma garota de óculos grandes, cabelo preso em um coque um pouco desalinhado e uma roupa tão fechada que parecia deslocada para o calor que fazia lá fora.
Ela ergueu os olhos do bloco de anotações que segurava e olhou direto para o Caleb, séria.
— Desculpe incomodar, senhor Belmont, mas… eu preciso da ajuda da senhorita Monteiro.
Eu engoli o suspiro frustrado e me levantei, ajeitando a saia.
— Claro — falei, sorrindo de leve para ela, mesmo que por dentro quisesse mandá-la embora. — Com licença, Caleb.
Ele me lançou aquele olhar carregado de segundas intenções, como se dissesse que o que tínhamos começado não ia ficar inacabado por muito tempo. Um arrepio percorreu minha espinha, mas eu apenas balancei a cabeça discretamente e segui a secretária para fora da sala.
Atravessamos o corredor em silêncio até minha sala nova. Era estranho ainda pensar nela como “minha sala”. O espaço era grande, iluminado, com janelas enormes que deixavam entrar a luz da manhã. Minha mesa era moderna, de madeira clara com detalhes em metal, e eu tinha uma cadeira confortável demais para parecer de escritório. Nas prateleiras, arquivos organizados em pastas etiquetadas me lembravam da responsabilidade do meu novo cargo. Eu era parte do pessoal executivo agora.
A secretária parou diante da mesa e ajeitou os óculos, parecendo um pouco sem graça.

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