Pamela
O quarto dia como gerente administrativa começou com aquele frio na barriga que eu sempre sentia quando alguma coisa importante estava para acontecer. Eu tinha dormido mal, confesso. A lembrança de Caleb me prendendo contra a mesa, abrindo minha blusa e me beijando como se quisesse me devorar ainda rodava na minha cabeça. E, claro, a frustração de termos sido interrompidos por aquela batida idiota na porta me deixou inquieta a noite inteira.
Eu tomei meu café, vesti um dos meus terninhos novos — agora eu precisava estar à altura do cargo, certo? — e fui para o escritório com meu carro. Aquele que Caleb tinha me dado. Eu ainda fazia questão de ir sozinha. Não queria que as pessoas começassem a falar que só estava ali porque dormia com o chefe.
Estacionei, respirei fundo e subi. Assim que cheguei ao andar da diretoria, dei de cara com um choque tão grande que precisei piscar duas vezes para acreditar no que estava vendo.
A secretária nova de Caleb estava irreconhecível.
No dia anterior, ela parecia saída de um convento: óculos enormes, coque frouxo, roupas largas, como se tivesse medo de mostrar até o formato dos joelhos. Hoje… hoje ela parecia ter saído direto de um ensaio fotográfico para uma revista masculina.
O cabelo, que ontem era castanho preso num coque sem graça, agora estava loiro platinado, solto e liso, batendo nos ombros. A maquiagem era pesada, olhos marcados de preto e boca vermelha demais para um ambiente de trabalho. O decote do vestido era tão profundo que eu cheguei a sentir calor só de olhar. E o vestido em si… bom, vamos apenas dizer que parecia pintado no corpo dela.
Meus olhos se arregalaram. A freira tinha virado atriz pornô da noite pro dia.
Ela me olhou com um sorrisinho, como se estivesse esperando minha reação. Eu pisquei de novo, tentando disfarçar o choque. Não ia dar o gostinho de parecer incomodada.
— Bom dia — falei, firme, mas educada. — Você está… linda.
O sorriso dela se alargou como se eu tivesse lhe dado um prêmio.
— Obrigada, senhorita Monteiro.
Meu estômago revirou. Aquelas roupas justas, aquele batom vermelho… ela parecia ter vindo trabalhar com um único objetivo: chamar a atenção de Caleb. E isso me deixou com uma vontade súbita de revirar os olhos.
Mas me controlei. Respirei fundo, ergui o queixo e segui até a minha sala. Eu não ia dar palco.
Ao abrir a porta, encontrei uma surpresa bem mais agradável.
— Bom dia, senhora Monteiro? — A voz suave veio de uma mulher mais velha, de cabelos grisalhos arrumados num coque elegante, com um vestido azul claro que lembrava mais a ternura de uma avó do que a formalidade de uma secretária executiva.
Sorri imediatamente.
— Bom dia! A senhora deve ser minha nova secretária.

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