Pamela
Os dias estavam passando sem grandes incidentes, e eu comecei a pensar que talvez tudo não passasse de paranoia minha. Clarissa estava ali, toda montada, decotes, maquiagem exagerada, mas não fazia nada além do trabalho dela. Nada além de sorrisinhos, nada além de andar com aquele salto alto batendo no piso.
Eu continuava de olho, é claro. Sempre reparava se ela olhava demais pro Caleb, se inventava desculpa pra entrar na sala dele. Mas até agora, nada. Absolutamente nada.
E foi por isso que, naquela manhã, enquanto revisava relatórios na minha mesa, eu respirei fundo e pensei: “Ok, talvez eu esteja exagerando. Talvez eu devesse parar de alimentar esse ciúme e focar no que importa: meu trabalho.”
A ideia de simplesmente relaxar me trouxe até uma pontinha de paz. Peguei minha caneca de café, ajustei os papéis e mergulhei na planilha, decidida a ser a gerente administrativa exemplar.
Foi quando meu celular vibrou.
Peguei o aparelho sem muito interesse, achando que fosse alguma notificação qualquer, mas ao ver o nome na tela, meu coração deu um pulo.
Caleb.
Abri a mensagem e li:
"Amor, pode vir ao meu escritório?"
Um sorriso involuntário escapou dos meus lábios. Ele sempre arranjava um jeito de me arrancar do sério, mesmo no meio da rotina.
Fechei o laptop, levantei e ajeitei a saia. Abri a porta da minha sala e caminhei pelo corredor, o salto ecoando no piso. Ao passar pela mesa da Clarissa, percebi que estava vazia. Estranho. Ela nunca largava o posto.
Não dei muita importância. Continuei andando até a porta de vidro com o nome dele gravado. Bati duas vezes, como sempre, e abri.
O que vi fez meu sangue gelar.
Clarissa estava ali, colada nele. Um pano branco na mão, e ela esfregava bem no peitoral do Caleb, como se estivesse limpando. O corpo dela inclinado demais, a boca curvada num sorriso de “ops, sou atrapalhada”, mas nada inocente.
Meu estômago virou.
Segurei a maçaneta com força e soltei, com a voz firme:
— Atrapalho?

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