Caleb
Cheguei na empresa às nove da manhã. Para mim, esse era um “atraso”, já que sempre gostei de estar cedo no escritório, antes de todo mundo, com a mesa organizada e os relatórios prontos para a primeira reunião. Mas agora? Agora eu não tinha a menor pressa.
Pamela tinha virado meu vício. Eu amava acordar com ela grudada em mim, a pele quente contra a minha, o cabelo bagunçado no meu peito. Eu amava ainda mais sentir aquele cheiro que só ela tinha, um misto de perfume doce e pele macia. Mas o que me matava, o que realmente me deixava louco, era ouvir a forma como ela gemia meu nome quando estava prestes a gozar. Não havia nada mais viciante do que aquele som.
Eu me levantava da cama já com um sorriso idiota no rosto, só de lembrar da noite anterior. Era por isso que eu não fazia questão nenhuma de chegar às oito em ponto como antes. Prefiro mil vezes gastar essa hora extra em casa, transando, tomando café juntos, ou simplesmente observando ela enrolada no meu lençol.
Quando cheguei à empresa, encontrei tudo em ordem. O ambiente estava mais... leve. E, para ser sincero, uma das coisas que me tiravam do sério — e que finalmente parecia ter melhorado — era o jeito como minha atual secretária, Clarissa, se vestia.
Depois do memorando que Pamela havia mandado no dia anterior, milagrosamente a Clarissa apareceu mais comportada. A saia ainda era curta demais pro meu gosto, mas pelo menos já não parecia pronta para subir num palco. Suspirei, satisfeito.
O dia foi corrido. Reuniões, contratos, clientes difíceis... nada que eu não estivesse acostumado. E tudo estava indo bem. A cada hora que passava, eu pensava em Pamela, no quanto eu estava feliz por ter ela como esposa. Ter ela como minha mulher me dava uma calma que eu nunca tinha sentido antes.
Quando percebi, já eram nove da noite. Eu ainda estava no escritório, finalizando alguns documentos importantes. O prédio estava silencioso, só restava eu e Clarissa. Eu até já tinha dito para ela ir embora, mas, como sempre, ela insistia em ficar.
Não me importei. Estava concentrado demais. Mandei mensagem para Pamela:
“Amor, ainda preso no trabalho. Já saiu faz tempo, né? Daqui a pouco vou pra casa.”
Recebi um coração em resposta. Sorri.
Pensei em pedir alguma coisa para comer, já que meu estômago estava roncando. Pedi que Clarissa resolvesse isso. Alguns minutos depois, ela voltou com duas sacolas. Me entregou meu jantar, e então, sem a menor cerimônia, abriu o dela e se instalou no meu escritório.

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