Pamela
Acordei decidida. Eu não ia mais fingir que não via o que estava acontecendo. A cena da Clarissa praticamente nua no escritório ainda estava viva na minha cabeça, e quanto mais eu pensava naquilo, mais percebia que não era apenas uma questão de “gosto pessoal”. Era desrespeito com a empresa, com os colegas e comigo, como executiva responsável por manter a ordem.
Então, antes mesmo de sair de casa, já estava rascunhando mentalmente um memorando. Tomei café, me arrumei com calma e segui para o trabalho. Assim que cheguei, fui direto para minha sala. Liguei o computador, respirei fundo e comecei a digitar.
MEMORANDO INTERNO – REGRAS DE VESTIMENTAS
Prezados colaboradores,
A fim de mantermos a imagem profissional da nossa empresa e garantir um ambiente adequado de trabalho, ficam reforçadas as regras de vestimentas:
É obrigatório o uso de roupas formais ou semiformal, condizentes com o ambiente corporativo.
Decotes exagerados, saias excessivamente curtas, roupas transparentes ou semelhantes não são permitidos.
Lembre-se: aqui é um ambiente de negócios, não uma boate. A imagem que transmitimos reflete diretamente em nossa credibilidade diante dos clientes.
Contamos com a colaboração de todos.
Atenciosamente,
Pamela — Diretora Executiva
Li e reli o texto. Estava firme, mas educado. Sem indiretas, sem citar nomes, mas claro o suficiente para que qualquer um — principalmente ela — entendesse o recado.
Mandei imprimir cópias para todos os setores e pedi à recepção para entregar em cada mesa. Sentei, respirei fundo e voltei ao meu trabalho.
Mas, é claro, a paz não duraria muito.
Pouco depois das dez da manhã, ouvi a porta da minha sala se abrir com um estrondo. Nem sequer bateram. Clarissa entrou bufando, o memorando amassado na mão, olhos faiscando de raiva.
— Me poupe, Pamela! — ela disparou, batendo o papel na mesa. — Eu quero saber que porra é essa aqui!
Levantei os olhos devagar, como quem estava analisando um inseto barulhento, e respondi calma, sem elevar a voz:
— Não te ensinaram a bater na porta?
Ela bufou, riu debochada e cruzou os braços.

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