Pamela
Saímos juntos do escritório, eu e Caleb, como se nada pudesse nos abalar. Eu estava leve, como se tivesse ganhado um troféu invisível naquela guerra fria com Clarissa. Ele caminhava ao meu lado com a postura impecável, a gravata frouxa, o olhar cansado do dia puxado, mas ainda assim imponente. Era estranho, mas estar com ele me fazia sentir que o mundo inteiro precisava abrir espaço quando a gente passava.
O motorista já estava à espera, mas Caleb fez questão de ele tirar a noite de folga. Entramos no carro dele, e quando ele assumiu o volante, não resisti a sorrir. Aquele homem, de terno e comando, agora ao meu lado dirigindo, me dava a sensação de que o poder dele também me pertencia de alguma forma.
— O que você está rindo? — ele perguntou, me lançando um olhar rápido, divertido.
— Nada… — balancei a cabeça. — Só gosto de estar com você desse jeito.
Ele arqueou a sobrancelha, um meio sorriso brotando no canto da boca. — Desse jeito?
— É… só nós dois. Sem secretária, sem reuniões, sem gente interrompendo. — suspirei. — Só você e eu.
Ele riu baixo, um som rouco que sempre me arrepia. — Então vamos manter assim. Hoje, só eu e você.
Seguimos em silêncio confortável, e logo ele parou em frente a um restaurante elegante, iluminado suavemente por lustres de cristal. Um dos lugares favoritos dele, eu já sabia.
Entramos de mãos dadas, e eu me senti quase flutuando. Até que, no canto da sala, um detalhe me fez congelar.
Clarissa.
Ela estava ali, sentada em uma mesa próxima, com duas amigas que pareciam mais interessadas nos próprios celulares do que na companhia dela. O coração me bateu forte, mas não por medo — era pela ironia. Como se o universo tivesse decidido colocar mais pimenta na noite.
— Caleb… — murmurei, me inclinando levemente para ele. — Olha ali.
Ele acompanhou meu olhar e a viu. Soltou apenas um suspiro tranquilo, quase indiferente.
— E daí? — disse simples, como se fosse a coisa mais irrelevante do mundo.
— “E daí”? — repeti, quase rindo. — Ela está ali, nos olhando.
Ele ergueu o menu como se estivesse provando meu autocontrole. — Então deixe olhar. Não é nada demais.
Mordi o lábio, avaliando. Parte de mim queria levantar, esfregar nossa felicidade na cara dela. Mas eu também sabia jogar. Suspirei fundo e disse:
— Tudo bem. Vamos agir normalmente.
Ele me encarou, e no olhar dele havia um orgulho silencioso, como se aprovasse a minha decisão.
Pedimos vinho, escolhemos pratos, e eu tentava não virar a cabeça a cada minuto. Clarissa, claro, disfarçava mal. Estava vidrada na gente, e eu podia sentir a fúria dela queimando a cada taça que levantava.
No meio do jantar, uma voz familiar ecoou atrás de mim.

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