Pamela
Eu sempre gostei de shopping, mas fazia anos que eu não entrava em um com a liberdade de simplesmente comprar o que quisesse. Antes, tudo o que eu comprava era com a calculadora na mão, pensando em como sobraria menos para pagar a conta de luz, ou como minha madrasta e minha irmã iam pedir mais dinheiro no fim do mês. Agora era diferente. Agora eu estava entrando ali de braços dados com o Caleb, sem pensar em contas, só em viver.
— Pronta para arrasar em Londres? — ele perguntou assim que passamos pelas portas automáticas.
— Pronta para arrasar em Londres, em Paris, em Nova York… — respondi rindo. — Se você deixar, eu não paro.
Ele riu alto, aquele riso que fazia todo mundo olhar, e eu senti um certo orgulho de andar ao lado dele. Entramos direto em uma loja de roupas de inverno enorme, cheia de casacos, botas e acessórios. Era como se tivesse sido feita para mim naquele momento.
Comecei a pegar alguns casacos para experimentar, e Caleb se encostou em uma das poltronas da loja, de braços cruzados, com aquele olhar divertido.
— Tá preparado para um desfile exclusivo? — perguntei, erguendo a sobrancelha.
— Sempre. — ele respondeu, ajeitando-se melhor, como se fosse o juiz de um programa de moda. — Me mostre o que você tem, senhorita Belmonte.
Peguei o primeiro casaco, um longo, cinza-escuro, com cinto na cintura. Entrei no provador, me olhei no espelho e sorri. Quando saí, fiz questão de dar uma volta como se estivesse em uma passarela.
— E aí? — perguntei, girando no lugar.
— Hum… elegante, chique, muito Londres. — ele analisou, sério, como se realmente fosse um jurado. — Nota nove.
— Nove? — arregalei os olhos, fingindo indignação. — E o que falta para ser dez?
— Falta eu estar do seu lado vestindo um sobretudo igual. — ele piscou, me fazendo rir.
Voltei para o provador e troquei por um casaco vermelho, mais curto, com botões dourados. Quando saí, ele arregalou os olhos de verdade.
— Esse… esse é perigoso. — disse, passando a mão no queixo.
— Perigoso? — ergui uma sobrancelha.
— Sim. Porque se você usar isso na rua, vai acabar chamando mais atenção do que deveria. — ele levantou e veio até mim, ajustando o cinto do casaco na minha cintura. — Mas eu adoro. Nota dez.
Sorri, sentindo meu rosto esquentar. Aquele jeito dele, protetor e provocador ao mesmo tempo, me deixava sem reação.
Depois experimentei um preto básico, um bege enorme que parecia engolir meu corpo inteiro, um azul-marinho cheio de estilo… cada vez que eu saía do provador, ele tinha um comentário. Alguns engraçados, outros mais sérios, mas todos me deixavam ainda mais animada.
— Ok, agora preciso de botas. — falei, já entrando em outra seção da loja.
Peguei umas três caixas e comecei a experimentar. Primeiro uma bota preta até o joelho, depois uma marrom com salto mais grosso, e por último uma de couro, caramelo, que parecia ter sido feita para mim.

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