Pamela
Eu acordei naquele dia já com o coração acelerado. Era como se a viagem fosse um sonho de criança que finalmente estava acontecendo. Londres. Duas semanas inteiras ao lado do Caleb, sem ninguém para atrapalhar, sem Clarissa dando uma de intrometida. Só eu e ele.
No carro a caminho do aeroporto, eu não conseguia parar de sorrir. O Caleb olhava para mim do banco do motorista e ria sozinho.
— O que foi, Pamela? — perguntou. — Parece que você ganhou na loteria.
— Ganhei, né? — respondi, rindo. — Tô indo passar duas semanas em Londres, em pleno inverno lá, com meu marido gostoso e rico. Se isso não é loteria, não sei o que é.
Ele gargalhou, balançando a cabeça. — Você não presta.
— E você me adora exatamente assim, — devolvi, apoiando o queixo na mão e o encarando.
Quando chegamos, o aeroporto estava cheio, mas nada que pudesse estragar meu humor. Descemos do carro e, claro, tínhamos tudo organizado: malas despachadas rapidinho, documentação em dia, e aí fomos direto para a área VIP. Eu nunca tinha passado tanto tempo assim em sala VIP antes, mas confesso que estava começando a gostar desse estilo de vida.
Assim que entramos, já deu aquele clima diferente. Nada de gente correndo, barulho de criança chorando ou fila interminável. Era silêncio, sofás confortáveis, luz suave, música ambiente baixinha. Eu respirei fundo, me joguei em uma das poltronas e soltei um suspiro dramático.
— Tá vendo? É isso que eu mereço. — falei, fechando os olhos. — Massagem, drinks e nada de gritaria.
Caleb sorriu, jogando a mala de mão no canto. — Então vamos aproveitar, porque temos umas boas horas antes do voo.
E a gente aproveitou mesmo. Primeiro, eu me joguei numa cadeira de massagem, daquelas que praticamente desmontam sua coluna e remontam de novo. O Caleb sentou do meu lado, e nós dois ficamos ali, rindo das caretas que o outro fazia a cada apertão do encosto.
— Ai, credo, parece que esse troço vai quebrar minhas costas, — reclamei, mesmo sabendo que estava uma delícia.
— Tá vendo? — ele falou, rindo. — Já tá te treinando pra carregar as compras que você vai fazer em Londres.
Revirei os olhos. — Muito engraçadinho.
Depois da massagem, uma funcionária do espaço nos ofereceu máscara facial. Eu nunca tinha visto o Caleb com uma máscara hidratante no rosto, mas foi a cena mais engraçada da minha vida. Ele de terno impecável, sapato engraxado, mas sentado com uma máscara verde espalhada na cara.
— Se alguém tirar foto sua assim, sua reputação de CEO acaba, — brinquei, rindo tanto que quase chorei.
Ele virou para mim, com aquela cara de tédio falso. — Pamela, você não tem noção de como eu tô me sentindo ridículo.

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