Pamela
Eu sempre gostei de viajar, mas confesso que nunca tinha vivido uma experiência como essa. Quando segurei minha passagem de primeira classe para Londres, quase não acreditei. Quer dizer, eu, Pamela, a menina que estudou em escola pública, que dividia coxinha no recreio e pegava ônibus lotado todo santo dia, agora estava aqui, com um bilhete dourado na mão, prestes a embarcar em um voo internacional ao lado do homem que, sinceramente, mudou completamente a minha vida.
Caleb Belmont. Só de pensar no sobrenome dele já dá vontade de rir, parece nome de príncipe de conto de fadas, só que na versão CEO poderoso e irresistível. Ele estava ao meu lado no balcão de embarque, calmo como sempre, aquele tipo de homem que parece nunca perder a compostura. Eu, por outro lado, estava explodindo de ansiedade por dentro, tentando disfarçar com um sorrisinho e mexendo nos cabelos toda hora.
— Ansiosa? — ele perguntou, a voz grave, puxando a mala de mão dele com uma facilidade que me deixava com raiva.
— Não. Quer dizer... um pouco. Tá, muito. — suspirei. — Nunca voei assim, na primeira classe.
Ele arqueou a sobrancelha, como quem acha graça, e inclinou-se para perto do meu ouvido.
— Então se prepare, porque hoje você vai descobrir que voar pode ser melhor do que qualquer filme de Hollywood.
Revirei os olhos, mas a verdade é que um arrepio percorreu meu corpo. Ele sempre sabia exatamente o que falar para me desestabilizar.
Passamos pelo portão de embarque e seguimos pelo corredor iluminado que levava ao avião. Meus saltos batiam contra o chão metálico, cada passo ecoava como se fosse o início de um novo capítulo da minha vida. Quando entramos na cabine, eu juro que quase soltei um grito.
As poltronas da primeira classe eram praticamente camas. Um espaço enorme, luz suave, pessoas sorrindo, champanhe já sendo servido. Tudo tão diferente da classe econômica que eu conhecia. Ali, ninguém parecia com pressa, ninguém estava apertado, ninguém bufava porque o assento da frente reclinou dois centímetros.
— Senhor Belmont, senhora Belmont, bem-vindos — disse a comissária com um sorriso treinado, mas simpático.
Senhora Belmont. Eu nunca ia me acostumar com isso. Mas confesso que soava delicioso.
Sentamos lado a lado, e eu comecei a explorar todos os botões da poltrona como uma criança em um parque de diversões. Reclinei, levantei, abri a mesinha, fechei, mexi na luz, puxei o cobertor felpudo. Caleb só me observava, rindo baixo.
— Vai desmontar o avião antes mesmo de decolar? — ele provocou.
— Não fala nada, eu tô vivendo um sonho.
Quando a comissária trouxe duas taças de champanhe, aceitei sem pensar. Brindei com ele e bebi um gole, deixando o líquido gelado escorregar pela garganta.
— Acha que vai dormir durante o voo? — ele perguntou, observando-me por cima da borda da taça.
— Dormir? Tá louco? Quero aproveitar cada segundo. Vou assistir a uns três filmes, provar todos os pratos do cardápio e... — parei, olhando para ele com um sorriso travesso. — Quem sabe eu não descubro alguns... outros benefícios da primeira classe?
O olhar dele escureceu de um jeito que me fez engolir em seco. Droga. Eu sabia que não devia provocar, mas às vezes não conseguia me controlar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A noiva substituta do Ceo