Pamela
Eu estava com o coração acelerado no embarque. Aquele momento em que você entrega o bilhete, passa pelo corredor do finger e sente aquele friozinho na barriga… parecia que a viagem finalmente se tornava real. Eu e Caleb caminhávamos de mãos dadas, nossas malas de mão puxadas atrás de nós, enquanto a aeromoça sorria e dizia:
— Primeira classe, à direita.
Eu não vou mentir: meu peito se enchia de orgulho. Não pelo luxo em si, mas pelo simples fato de estar vivendo aquilo ao lado dele. Entrei e, ao ver as poltronas enormes, que mais pareciam camas, suspirei satisfeita.
— Isso aqui não é avião, é apartamento, — brinquei, passando a mão no couro macio da cadeira.
Caleb apenas sorriu, com aquele ar de homem acostumado a tudo isso. Sentamos, ajeitamos as coisas, e eu já estava pronta para relaxar quando ouvi uma voz bem conhecida atrás de mim.
— Pamela? Pamela Monteiro?
Meu corpo inteiro enrijeceu antes mesmo de virar. Aquela voz era inconfundível. Respirei fundo, virei o rosto e lá estava ela. Márcia. Com a mesma cara de falsa simpatia que eu lembrava do colégio.
— Márcia! — falei, forçando um sorriso. — Quanto tempo!
— Meu Deus, nem acredito! — ela exclamou, ajeitando os cabelos de forma exagerada. — Eu sabia que era você, eu nunca esqueço um rosto.
Devia esquecer sim, pensei, mas mantive a pose.
Ela, claro, imediatamente olhou para o lado e bateu os olhos no Caleb. A maneira como o encarou me deu vontade de rir — parecia que estava diante de uma celebridade.
— E… quem é esse? — perguntou, quase se inclinando sobre o meu assento. — Você o conhece?
Olhei bem para ela, estiquei o sorriso, e respondi com gosto:
— Claro que conheço. Esse é o senhor Caleb Belmont.
Vi os olhos dela arregalarem um pouco. O nome dele tinha peso, eu sabia disso.
— Ahhh… ele é seu chefe? — perguntou, inclinando a cabeça, como se tivesse acabado de desvendar um grande mistério.
Quase soltei uma gargalhada.
— Não, Márcia. — Fiz questão de dizer devagar, olhando direto nos olhos dela. — Ele é meu marido.
Ela piscou algumas vezes, surpresa, e logo disfarçou com aquele sorrisinho venenoso que sempre usava no colégio quando queria me diminuir.
— Nossa, que legal! — disse. — Então você conseguiu desencalhar, né?
Mordi a língua para não responder algo mais afiado. Respirei fundo e apenas sorri de volta, mesmo que por dentro estivesse revirando os olhos.
— E o que ele faz da vida? — ela perguntou, como se não tivesse sido invasiva o suficiente.
— Caleb é CEO, — respondi sem hesitar, orgulhosa.

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