Havia sido Yasmin quem chamou a polícia, e ao ouvir aquilo, ela imediatamente rebateu:
— Deixe de mentiras! Eu vi tudo muito bem com os meus próprios olhos, certo? Foi você quem bateu na Nina.
Simone a ignorou e olhou diretamente para o colega:
— Hugo Paiva, a sua mesa tem a melhor visão. Quem bateu em quem?
O colega, intimidado pelo olhar fuzilante da chefe, encolheu os ombros de maneira covarde:
— A Nina bateu na Simone primeiro.
Yasmin estourou na hora:
— Hugo Paiva, você não tem um pingo de decência?! Um homem feito, perdendo a dignidade por causa de um emprego?
Os dois policiais alertaram prontamente:
— Silêncio! Ou levaremos todos algemados!
O colarinho de Nina estava rasgado, seu cabelo bagunçado pelos puxões, e havia três arranhões no seu rosto. Sua boca sangrava um pouco, e seu olhar parecia vago.
À primeira vista, parecia alguém que acabara de enlouquecer após um grande trauma.
— Chega, vocês precisam decidir sobre alguma indenização e chegar a um acordo pacífico. Caso contrário, todos irão para a delegacia conversar com calma. — Um dos policiais fechou o bloco de notas.
O Sr. Nogueira, tentando acalmar a situação com bajulação, interveio:
— É claro, é claro. Peço desculpas pelo incômodo, senhores oficiais. Aceitam um cigarro...?
Os dois policiais recusaram com um aceno e foram embora.
O Sr. Nogueira aproximou-se e puxou Nina pelo braço:
— Venha, Nina. Vamos resolver essa confusão na minha sala.
Quando Simone havia se atirado sobre Nina, ela bateu a parte de trás da cabeça no chão. Agora, sentia-se zonza e nauseada.
Ela nem ouviu o que o Sr. Nogueira disse, deixando-se ser arrastada para fora do escritório, meio desorientada.
Yasmin deu alguns passos rápidos em direção a eles:
— Sr. Nogueira, eu também tenho um assunto para tratar com o senhor, vou junto...
O Sr. Nogueira fuzilou-a com o olhar:
— Você fala comigo depois!
E puxou Nina para longe. Aquela proximidade definitivamente não era a de um chefe e uma subordinada.
Aquelas breves palavras foram como uma tempestade de gelo atravessando o ambiente, silenciando o lugar por completo num piscar de olhos.
Naquele metro quadrado valiosíssimo do Lumina do Mar, o que significava ser chamada de "Sra. Lacerda" por um homem cujo traje beirava facilmente os seis dígitos? Ninguém ali ousava sequer imaginar a resposta.
Nina não conseguiu responder. Apenas sentia o mundo girar à sua volta e o estômago embrulhado numa forte vontade de vomitar.
O homem puxou imediatamente o celular:
— Tragam a equipe médica. A Sra. Lacerda está ferida e precisa de atendimento urgente.
Dito isso, tirou duas fotos de Nina e, abrindo uma conversa em um aplicativo, clicou em enviar.
A legenda dizia: "A Sra. Lacerda foi ferida. Extensão dos ferimentos desconhecida, necessita de internação para exames."
O telefone dele tocou no segundo seguinte.
O homem afastou-se para um canto mais vazio, atendeu e, em pouco tempo, retornou para os policiais, decretando:
— A natureza deste incidente é de extrema gravidade. Peço que procedam de acordo com o rigor da lei.
O Sr. Nogueira perdeu toda a cor do rosto.
Dentro da sala, Simone continuava sentada em sua cadeira, com as pernas tremendo tanto que não conseguia se colocar de pé.

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