Saindo da estação, Fernando Alves jogou a bagagem no chão, e em seus olhos turvos brilhou um lampejo de astúcia. "Se não formos, vão cortar a mão do nosso filho!"
"Se não vamos atrás dela, só resta procurar Angelica Alves. Você tem coragem de provocar aquele monstro?"
O medo subiu à cabeça, e Camila sacudiu a cabeça furiosamente. "N-não podemos procurá-la, ela vai nos matar!"
Reprimindo o pânico, Camila hesitou novamente. "Mas a Família Lima já nos avisou: os cinco milhões compraram o fim dos laços de sangue entre nós e Tina. Proibiram qualquer contato, qualquer perturbação. Se descobrirem, vamos pagar caro."
"Idiota, é só esconder! A Família Lima é cheia da grana, a mesada mensal deles já passa de milhões! Tina tem o nosso sangue, ela deveria sustentar a gente. Por que a Família Lima decide e pronto, acabou?"
Fernando caminhava corcunda, com um olhar gélido e cruel. "Primeiro, pegamos os cinco milhões para tirar Caio daquele inferno. Depois, trazemos ele para a cidade, e então fazemos Tina nos comprar uma casa e um carro. Assim, a gente se estabelece por aqui."
A Família Lima entregou cinco milhões, somando aos dois milhões que Tina deixara, eram sete milhões.
Para uma família comum, sete milhões bastavam para viver muito bem. Fernando rapidamente construiu um pequeno chalé na cidade, e comprou logo dois carros.
Mas Caio Alves se envolveu com jogo, roubou dinheiro de casa, e em apenas um mês perdeu três milhões, além de ficar devendo sete milhões ao cassino.
O cassino foi claro: se não trouxessem o dinheiro em quinze dias, arrancariam as duas mãos de Caio.
Bruno Lima decidiu vender tudo — casa, carros — e entregou os dois milhões ao cassino, indo imediatamente, com a esposa, procurar Tina na cidade.
Aquela menina era uma tola: mesmo sendo adotada por uma família rica, ainda voltava às escondidas para ver os antigos pais, deixando mais dois milhões.
Se era sangue dele, tinha que sustentar a família.
"Anda logo!"
Fernando saiu apressado, e Camila o seguiu às pressas.
Atrás deles, uma silhueta mancando apareceu lentamente.
Ele olhava fixamente para as costas dos dois, com um sorriso sombrio nos lábios, e voltou a segui-los, mancando.
……
Quando Regina consertou o celular, o sol já quase se punha. Ela massageou os dedos, ligou o aparelho, e logo surgiram novas mensagens.
Tinham sido enviadas há meia hora.
Raul: [Regina, a mamãe foi te procurar, provavelmente para pedir desculpas.]
[O irmão teve uma emergência e voltou para a empresa. Se não quiser vê-la, é só não abrir a porta.]

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