Raul levantou-se de repente, as pupilas dilatadas. "Eles... venderam a Regina?"
"Sim."
Fagner baixou o olhar. "E tem mais, Srta. Regina, quando tinha sete anos, houve um incêndio no quarto dela. Só ela estava trancada em casa."
[Aquela menininha quase foi queimada viva pelos próprios pais para receber o seguro, conseguiu escapar sozinha. Se tivesse crescido em paz, hoje já teria vinte e dois anos.]
As palavras do médico caíram em seu coração como uma lâmina afiada.
Raul apoiou-se na mesa, o peito arfando forte, o coração apertado por uma mão invisível, sufocando-o de angústia.
Queimada viva!
Fraude de seguro!
Então, será que a criança de quem o Dr. Vinicius falou era a Regina?
E ainda a venderam!
Com mãos trêmulas, Raul abriu o dossiê, de onde caiu uma foto antiga.
Fagner explicou: "Foi uma vizinha idosa quem me deu, Regina tinha nove anos nessa foto."
Raul segurou delicadamente um canto da fotografia e a levantou.
Diante dos olhos, estava uma menina magra, de ossos salientes.
Cabelos opacos, pele escura, hematomas no rosto.
A roupa, além de estar larga, era claramente de menino.
Essa... era a Regina?
Raul ficou de boca aberta, queria dizer algo, mas nenhum som saiu.
Nada daquilo correspondia ao que ele imaginava.
Ele pensava que o casal da Família Alves cuidava da Regina com o mesmo carinho que tinham por Tina.
Com cuidado, Raul guardou a foto, reprimindo todas as emoções. "Vamos para o Hospital Central."
Do lado de fora do escritório, o assistente hesitava, levantava a mão e logo a baixava.
O presidente havia mandado chamá-lo para pedir à Diretora Lima uma reunião de parceria.
Era a terceira tentativa do dia, todas recusadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Rainha do Poder