Se fosse apenas um advogado comum, ele não teria perdido de forma tão desastrosa.
Enquanto pensava nisso, ele pegou o copo e tomou um gole d’água.
"É o Hilton."
Pfff—
Sr. Câmara cuspiu toda a água, surpreso. "Hilton???"
Naquele dia, Zildo entrou apressado na delegacia com alguns documentos nas mãos. "Oficial Novaes, consegui descobrir!"
Ivan pegou os papéis de suas mãos.
Zildo enxugou o suor da testa. "Maísa tem um cartão de duzentos mil. Ao longo dos anos, ela gastou menos de vinte mil. O titular era um idoso falecido há mais de dez anos, e a família vendeu o cartão de livre e espontânea vontade."
"E as informações da Regina?"
"Alguém apagou, não consegui encontrar nada. Fui até a vila onde ela cresceu, mas só souberam dizer que ela desapareceu aos dez anos e reapareceu sozinha há dois anos, voltando então para a Família Lima. O pessoal da vila é muito desconfiado e não quis falar mais nada."
Desaparecida aos dez anos? E voltou sozinha?
Não diziam que Regina tinha crescido no interior?
A Família Lima sabe dessas coisas?
Ivan franziu a testa. Aquilo estava se tornando cada vez mais complicado.
"Regina tem audiência hoje. Assim que terminar, detenham-na!" Ele se dirigiu à sala de repouso. "Preparem-se, vamos para o tribunal."
—
"Peço que todos os presentes mantenham silêncio. Agora vou ler as regras do tribunal..."
Na plateia, Ivan observava Regina com um olhar atento.
Raul percebeu o olhar dele e ficou incomodado. "Ivan, por que está olhando minha irmã desse jeito?"
Ivan desviou o olhar, interrompido em seus pensamentos. "Que jeito?"
Olhar de quem encara um criminoso.
Os dois se conheciam desde pequenos, Raul conhecia suficientemente bem Ivan para saber que sua presença ali era inesperada.
E ainda trouxera um policial.
Ele certamente não estava ali como membro da família de Regina.
Raul o encarou: "Qual é o seu objetivo aqui?"

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