A responsável por tudo isso mantinha uma expressão serena, como se nada daquilo tivesse a ver com ela.
Otília apertou os lábios, e seu olhar ficou gelado num instante. "Regina, você é mesmo uma desgraça!"
"A família Lima sempre foi harmoniosa, acolhedora e calorosa. Agora, com tantos conflitos, brigas e discussões acontecendo um após o outro, tudo isso começou por sua causa."
Suas palavras foram diretas e duras, Ivan imediatamente mudou de expressão.
Mas ela era neta do Sr. Otávio, enquanto ele não tinha laços sanguíneos com a família Lima, não tinha o direito de repreendê-la.
Regina, porém, não se sentiu culpada pelas palavras de Otília. "Oficial Novaes, já que a situação chegou a esse ponto, acho que ainda preciso ir até a delegacia, não é?"
Ivan hesitou por dois segundos e reformulou: "Agora você precisa de proteção policial."
Regina caminhou em direção à porta, mas Paloma rapidamente a segurou. "Regina, mesmo que você tenha cometido um crime, vamos encontrar uma maneira de reduzir sua pena, e a mamãe vai esperar você voltar."
Os olhos dela estavam marejados, e o que havia de mais forte neles era a culpa.
Culpa por não ter trazido Regina para casa antes? Por não tê-la educado para ser uma boa pessoa?
Regina olhou para ela e perguntou: "Você prefere uma filha com a personalidade da Tina, ou alguém como eu?"
Paloma hesitou. "Eu…"
Regina sorriu levemente, mas o olhar permanecia extraordinariamente calmo. "Você já fez sua escolha."
"Regina!" Paloma agarrou sua mão com desespero, a voz trêmula. "Seu temperamento é um pouco difícil, mas a mamãe também ama você do jeito que é. Se eu tivesse te trazido para casa antes, teria te educado para ser—"
"Sra. Barbosa."
Regina a interrompeu e soltou delicadamente sua mão. "Você acha que foi aquele casal que me tornou assim?"
Paloma ficou magoada com sua frieza. Sob a pressão do olhar de Regina, as lágrimas caíram.
Bruno percebeu que a filha estava estranha naquele dia. Apesar de querer se aproximar dela, naquele momento, ele preferiu ficar ao lado da esposa, envolvendo-a nos ombros em um gesto de conforto.
"Regina, ela é sua mãe biológica."
O olhar de Regina se voltou para Bruno. "O senhor Lima também pensa assim, não é?"

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