Zephyrine
Não consegui dormir até o amanhecer. Meu coração ainda latejava com o que aconteceu entre nós. Lycannar ficou furioso quando o avisei, saiu sem dizer uma palavra.
Quando finalmente abri os olhos, já era dia. Permaneci deitada, encarando o vazio, imaginando como poderia me manter inteira enquanto tudo ao meu redor se fechava como um cerco.
O som de passos apressados no corredor me arrancou dos pensamentos.
Devagar, virei o rosto para a porta no instante em que ela se abriu. Luna Tahlia surgiu, o horror estampado em seu semblante.
— Não consigo encontrar minha mãe… nem o Jovem Black.
— O quê?!
Saltei da cama e corri pelo corredor, abrindo as portas de cada quarto. Vazias. A casa estava deserta, exceto por nós duas.
— Você consegue sentir a energia dele? Onde está? — perguntei, quando nos reencontramos na sala de estar.
Ela fechou os olhos, tentando se conectar ao filho. Quando tornou a me olhar, seu rosto estava pálido como neve.
— Consigo sentir… ele está na Alcateia de Blackbridge. — Sua voz se quebrou. — Eles vão executá-lo agora!
Não perdi tempo. Corri para fora, prendendo o cabelo em um nó firme, pronta para usar minha velocidade. Nesse momento, uma carruagem parou diante de nós. Luna Tahlia já estava dentro.
— Entre!
Obedeci sem questionar. Minutos depois, chegamos ao pátio de Blackbridge, onde uma multidão se aglomerava.
A cena diante de mim congelou meu sangue.
Olga, a idosa mãe de Tahlia, estava de joelhos na terra, implorando pela vida da filha e do neto. Em resposta, cuspiram nela, chamando-a de “mãe de prostituta” e “avó de bastardo”.
Luna Tahlia saltou da carruagem para protegê-la, mas também foi agredida.
A raiva queimava em meu peito. Meus olhos buscaram Kaela, parada ao lado do pai, sorrindo como se fosse a dona do destino de todos. Em poucos dias, ela havia destruído não apenas uma vida, mas várias.
Ainda hesitava entre intervir ou planejar, quando a voz de Kaela ecoou pelo pátio como um chicote.
— Membros da Alcateia de Blackbridge! Não toquem em sua antiga Luna. Embora o que ela tenha feito seja vergonhoso, graças a ela… agora vocês terão um Alfa de verdade.
A multidão explodiu em gritos de aprovação.
Kaela deu um passo à frente, pairando sobre Tahlia como uma falsa deusa da justiça.
— Vocês pagarão por todos os seus pecados — declarou friamente. — Se se renderem de bom grado… talvez tenhamos misericórdia de seu filho.
Era a escolha mais cruel: a vida da criança em troca da dignidade da mãe. Luna Tahlia desabou. Curvou-se aos pés de Kaela, implorando pela vida do menino.

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