Nyroth
Ao chegar à arena, percebi que tinha vindo cedo demais. Os trapaceiros já estavam lá, tramando seus jogos antes da hora.
Kaela, sempre conspiradora, se movia como se estivesse em casa. Ao redor, lobos de diversas matilhas se reuniam, ansiosos para assistir ao espetáculo: a mulher do Rei Lycan lutando pela Luna injustamente acusada.
Assumi minha posição próximo ao chão, os olhos percorrendo o amplo campo de batalha. Meu coração pesou ao imaginar Zeph sendo dominada, presa e morta diante dos meus olhos… tudo por causa do que eu mesmo ajudei a desencadear.
Me sentei, e minha mente voltou aos eventos anteriores na Alcateia Branca. Havia perdido o controle, explodido, e então ouvi de seus próprios lábios que dormiu com ele. Isso significava que Zeph não era mais virgem. Ela pertencia agora ao Rei Lycan.
Uma carruagem com o brasão da minha matilha chegou, e meu estômago se contorceu quando minha mãe desceu acompanhada de Olivia. As duas sorriam, ansiosas para testemunhar a queda de Zeph, como sempre estivem. Eu mal podia culpá-las. Nunca me opus a elas antes, e agora sua malícia crescera sem freio. A crueldade de minha mãe eu compreendia: nascida em alto status, mas vergada pela tragédia, ela jurou nunca mais se curvar a ninguém de posição inferior. Lutou para recuperar o topo e não toleraria que alguém de baixo status ameaçasse seu lugar.
Seus olhos vasculharam a arena até me encontrarem. Elas se aproximaram apressadas, os sorrisos brilhantes disfarçando o veneno. Olivia ainda evitava meu olhar, lembrança clara do meu surto anterior.
Nos sentamos em silêncio enquanto a arena se enchia, até que outra carruagem chegou, trazendo o brasão do Reino Lycan. Meu estômago ardeu de raiva. Era a mesma carruagem em que o Rei Lycan havia abraçado Zephyrine. Mas nada podia fazer.
Observei quando ela desceu, a criada ao seu lado, junto com o Alfa Auedric, agora completamente rendido à aliança com o Rei Lycan. Luna Tahlia os acompanhava quando desapareceram pelos bastidores.
A arena mergulhou em silêncio com a chegada dos oponentes, e logo o fogo de sinalização foi aceso. Vi Kaela correr até o lutador trapaceiro, sussurrar algo e lhe passar alguma coisa. Meu coração despencou. Eles não lutariam limpo.
Zeph precisava saber. Me levantei, pronto para correr até os bastidores, quando um silêncio ainda mais denso se espalhou pela multidão, o tipo que só uma presença poderia impor.
Olhei para cima… e congelei. Apex Blood.
Ele não estava sozinho. Ao lado dele, as duas irmãs mais velhas, elegantes e altivas, e atrás, o guarda-costas sombrio que nunca o deixava. Outra figura também o seguia, diferente, perturbadora, como se não pertencesse àquele império. Todos vestidos de preto, assustadoramente imponentes.
Apex, gentil apenas com as irmãs, as acomodou em seus lugares antes de cruzar os braços e fitar a arena em silêncio absoluto.



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