Henrique estendeu os braços e amparou o corpo que caía.
Ele baixou o olhar e disse, descontente:
— Adélia, por que você voltou?
Adélia também não esperava que ele voltasse para casa. Ele vestia um terno preto impecável, acabado de chegar da rua, e o tecido caro e texturizado ainda carregava o ar frio de fora.
O corpo de Adélia estava em chamas. Instintivamente, ela se pressionou contra ele, querendo usar o cheiro frio e maduro dele para apagar o fogo da luxúria dentro de si.
Com os olhos brilhando, Adélia olhou para ele.
— Henrique, me ajude...
Antes que pudesse terminar a frase, Henrique a empurrou. Seus olhos frios a fitaram.
— O que aconteceu com você?
Empurrada, Adélia hesitou. Por um momento, ela pensou em pedir ajuda a Henrique.
Mas como ele poderia ajudá-la?
— Fui drogada.
Drogada?
Henrique franziu as sobrancelhas. Essa mulher que sempre o irritava realmente sabia como se meter em problemas.
— Espere aí.
Henrique caminhou a passos largos até a janela de vidro, tirou o celular do bolso da calça e fez uma ligação.
Enquanto o toque do celular ecoava, Henrique, com uma mão segurando o aparelho, afrouxou a gravata com a outra. A gravata pendia solta em seu pescoço, um toque de rebeldia que quebrava sua imagem de nobre contido, criando uma tensão irresistível.
Adélia não ousou olhá-lo por mais tempo.
A chamada foi atendida. Era a voz de Mateus.
— Irmão.
— Deixa eu te perguntar uma coisa — disse Henrique. — Se uma mulher for drogada, o que se deve fazer?
Mateus riu, animado, como se ouvisse uma grande fofoca.
— Caramba, irmão, foi a cunhada Jessica? Nesse caso, não hesite! Ajude-a você mesmo.
— Fale sério — disse Henrique, segurando o telefone com mais força.
— Ah, não é a cunhada Jessica. Então, mande-a tomar um banho de água fria. Mas o processo é bem doloroso. Se ela aguentar, aguenta. Se não, pode ter uma ruptura de vasos sanguíneos e morrer.

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