— Não tenho interesse em coisas que homens compram. — Disse Jorge, com um tom de voz que carregava uma leveza quase imperceptível de ciúme.
Isabela ficou paralisada, piscando os olhos, completamente confusa.
— Homens? Eu mesma comprei essas flores no shopping. Que homem têm a ver com isso?
Como ele poderia achar que alguém as comprou para ela?
Logo, ela pareceu entender algo e franziu a testa explicando:
— Você não está pensando que foi o Sandro quem me deu isso, está? Ele nunca faria algo assim. Além disso, já estamos divorciados. Não temos mais nenhuma ligação. Nós...
O rosto de Jorge escureceu, claramente incomodado com a menção ao nome de Sandro, especialmente aquela palavra “nós” parecia uma farpa, o irritando profundamente.
Isabela percebeu a mudança em seu humor e ficou ainda mais intrigada. Por que ele estava agindo como o clima de junho, mudando de repente? Um momento estava calmo e ensolarado, e no seguinte, nuvens escuras cobriam o céu, como se uma tempestade estivesse prestes a acontecer.
Foi então que Janete apareceu, interrompendo os pensamentos de Isabela.
— Dra. Isabela. — Chamou Janete, com uma voz animada.
Isabela se virou e, ao vê-la, sentiu um leve alívio.
— Janete, o que traz você aqui? Algum problema com o plano?
Janete acenou com a mão, mantendo o sorriso.
— Não, tudo está indo bem. Só passei para dar uma olhada em você. — Ela se aproximou de Isabela, olhando rapidamente para Jorge, que tinha acabado de subir as escadas, e deu um leve toque no braço de Isabela, sussurrando. — Aquele ali é seu namorado?
Isabela ficou sem palavras por um momento, mas logo negou com a cabeça:
— Não, ele é meu chefe.
Janete ergueu uma sobrancelha, com um sorriso cheio de significado.
— Sério? E o chefe dá flores para a subordinada? — Seu olhar pousou no buquê de girassóis que Isabela segurava, claramente cética com a explicação.
Isabela olhou para as flores em suas mãos e suspirou internamente. Aquelas flores realmente estavam causando problemas. Ela tentou explicar:
— Não é o que você está pensando...
— Ah, não precisava! Não é nada de especial.
Mas Janete não deu ouvidos, enfiando a caixa em suas mãos.
— Não seja modesta, é só um pequeno gesto. — A gentileza de Janete era tão contagiante que Isabela não teve como recusar, aceitando a caixa com um sorriso agradecido.
Uma hora depois, após se despedir de Janete, Isabela voltou ao escritório, mas a preocupação com o humor de Jorge ainda a incomodava. Ela olhou para os doces em cima da mesa e pensou que Jorge provavelmente não havia tomado café da manhã e devia estar com fome. Abriu a caixa, e o aroma do bolo de morango, especialidade da Confeitaria Aroma, invadiu o ar.
Ela preparou uma xícara de café e, com o bolo e o café nas mãos, se dirigiu à porta do escritório de Jorge. Bateu levemente na porta.
— Entre. — Veio a voz grave de dentro.
Isabela abriu a porta e viu Jorge concentrado lendo alguns documentos. Ela sorriu suavemente e disse, com um tom de voz gentil:
— Dr. Jorge, você não tomou café da manhã, não é? Trouxe um bolo da Confeitaria Aroma. É muito bom, experimente.
Jorge ergueu o olhar, o fixando no bolo que ela segurava. Um lampejo de surpresa passou por seus olhos. Ele se lembrava daquela confeitaria, sempre havia uma fila enorme quando ele passava por lá.
— Você foi lá especialmente para comprar isso? — Perguntou ele, com curiosidade.

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