Lucretia entrou na packhouse e olhou para cima, para as escadas. O pai dela estava ali, com certeza. Ela começou a subir, degrau por degrau, calmamente, tentando não fazer barulho. Não havia sinal de ninguém por perto, mas ela não podia arriscar, ainda mais que Jeanne tinha seus informantes, seus lacaios fiéis.
O corredor estava vazio. Todas as portas, fechadas. Pelo menos Lucretia sabia que Deidra não surgiria do quarto para estragar o plano dela. Nem Kolby.
Ao caminhar lentamente, buscando dar passos leves, Lucretia ouviu vozes baixinhas, como sussurros. Ela passou a língua pelos lábios ressecados de nervosismo e acelerou um pouco as passadas, mas ainda assim, silenciosamente.
— Isso está saindo do controle! — Era a voz de Jeanne. — E se ela descobrir?
Como não houve uma resposta, Lucretia concluiu que Jeanne estava falando ao telefone. Chegando bem perto da porta, ela esticou um pouco o pescoço e viu enquanto a madrasta andava de um lado para o outro, com uma mão levantada para o lado do rosto e a cabeça um pouco baixa.
— Ela não é idiota! E resolveu ficar aqui a semana toda!
Lucretia estreitou os olhos. Não era com Corrado que ela falava. Seria com Deidra?
— E o imbecil do pai dela também não pode ficar naquele estado por tempo demais! O efeito pode ser irreversível. — Silêncio, antes de Jeanne soltar uma risada de desdém. — Me poupe! Claro que não! Mas se isso acontecer, as suspeitas vão recair sobre mim, não acha?
“Então Jeanne está mesmo fazendo alguma coisa com o meu pai! Ela deve estar drogando ele… Wolfsbane? Bem capaz!”
Mas só havia um jeito de ter certeza: um exame. E, para isso, era preciso saber onde estava Corrado! Claro, pedir que uma bruxa ou algo do tipo se metesse, ajudaria a descobrir, mas era um preço que Lucretia não pagaria. Ajuda de bruxa era o mesmo que acordo com o mal. Vender a alma.

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