Era um número desconhecido e Lucretia ponderou se deveria ou não atender. O número dela não era dado a qualquer pessoa, então, quem poderia estar ligando? Uma sensação esquisita se instalou no peito dela.
Ao atender, a voz do Conselheiro de Rhys soou no ouvido dela.
— Perdão ligar assim, Luna Lucretia. — Jamil falou.
— Não, não precisa se desculpar. Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou, enquanto abria a gaveta para pegar roupa. Como sabia que teria que retornar ao LongFang regularmente, Lucretia não levou todos os pertences dela para o ShadowBlood.
— Apenas fiquei preocupado com a não chegada do nosso Alfa. Ele ainda está aí? Martin também não veio.
— Não chegaram? Mas eles saíram daqui há algum tempo. Não conseguiu se conectar com ele pela conexão mental?
— Não, Luna. Por isso liguei.
Lucretia apertou a ponta do nariz, fechando os olhos e respirando fundo. Seria muito pedir por pelo menos um dia de paz?
— Vamos esperar mais alguns minutos, mas já deixe alguns soldados mais confiáveis prontos para procurarmos pelos dois. Não alarme o bando todo.
Um Bando sem um Alfa era complicado, mas normalmente havia um Beta em controle. Se os dois indivíduos de maior ranking sumissem, e com a Luna longe, o bando ficava completamente vulnerável a ataques. Ainda que o Gamma e o Delta fossem poderosos, pudessem liderar o exército, não havia como se compararem aos outros dois. Em um ataque, o ShadowBlood poderia acabar perdendo. Não só por falta de poder, mas porque os outros membros ficariam com medo e isso era uma fraqueza muito grande.
— Sim, Luna.
— E me avise. Porque eu retornarei imediatamente ao bando.
— Claro. A manterei informada.
— Luna… não podemos… não saia do Long… Fique… Liga…mos.
E a ligação caiu. Lucretia xingou razoavelmente alto. Os dois estavam em apuros e nem foi Rhys quem ligou! Estaria ele… ferido? Lucretia não podia dizer se a dor no peito era devido à ligação ou apenas ao choque e preocupação. Sem a loba dela, não tinha como saber.
— E sem ela, eu não posso ajudar em nada! — Lucretia apertou o telefone com força entre os dedos. Mas ela tinha que fazer algo! Só que… o que ela faria? Deveria avisar Jamil?
Por um momento, Lucretia duvidou se essa era uma boa opção.
“Jamil sempre foi bom comigo. Ele não é alguém de quem eu devo ter medo ou suspeitas,” ela disse a si mesma e começou a ligar para Jamil, e foi quando a porta do quarto dela se abriu.
Esperando ver Jeanne, Lucretia mal virou-se, no entanto, não foi o perfume adocicado e enjoativo da madrasta que invadiu suas narinas.

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