Martin movia a cabeça de um lado para o outro, ainda com os olhos fechados. Uma ômega estava limpando o suor da testa dele quando Jamil entrou, seguido do soldado que o avisou da chegada do Beta.
— Onde ele estava? Qual o estado dele? — Jamil perguntou. Olhou em volta. — E já avisaram à companheira dele?
— Sim, senhor. Pedi que alguém a informasse.
— Certo. Podem sair. Ele precisa de descanso.
A ômega olhou de Jamil para o soldado, confusa.
— Eu também? Estou limpando-o e ele ainda está com febre. O médico precisa vê-lo imediatamente. Acho que foi envenenado.
— Saiam. — Jamil respondeu, sem nem olhar para ela. Como Conselheiro, ocupava uma posição alta e de respeito, portanto, os outros não o contrariariam.
— Sim, senhor. — Eles disseram e saíram, deixando Jamil sozinho com Martin.
O homem aproximou-se da cama lentamente e olhou para a figura na cama. O lençol estava grudado ao corpo do paciente, que suava muito.
— Parece estar tendo um pesadelo, não é, Beta? — ele perguntou e suspirou, inclinando o corpo e inspirando fundo. — Precisa de um banho.
Jamil se endireitou e sentou-se na poltrona a um canto, observando enquanto Martin se agitava ainda mais, porém, incapaz de abrir os olhos.
— Não é forte o suficiente para ser o Beta… e ainda assim, ocupa a posição. — Jamil soltou o ar e estalou a língua.
Uma vez sozinha com o companheiro, Haylie soltou o ar e olhou para Martin.
— Meu amor, o que fizeram com você? — ela perguntou, tocando-lhe a mão e usando as pontas dos dedos da sua própria para tirar os fios de cabelo da testa dele. O toque dela fez com que ele visivelmente se acalmasse na mesma hora. — Quando eu pegar quem fez isso, não vou ter pena!
E ela olhou para a porta. Jamil não era alguém que ela confiasse. Na verdade, Haylie ainda era vista, por alguns, como uma intrusa. Ela já tinha até mesmo ouvido que talvez o vínculo dela com o Beta fosse armado. Não era uma coincidência, que Lucretia Bellanti, a herdeira Alfa do LongFang, expulsa do seio familiar, se tornasse a noiva de Rhys e, então, a melhor amiga dela era incrivelmente a companheira predestinada — algo tão raro de acontecer! — do Beta do ShadowBlood?
Sim, era uma coincidência, mas era verdadeira! E Haylie fingia que não ouvia, porque não queria arrumar confusão. Não que ela se importasse em cair em uma briga. Nunca teve medo! Mas Martin era o Beta e ele seria colocado em uma posição difícil. Além disso, isso daria ainda mais motivos para desgostarem dela e de Lucretia.
Afastando esses pensamentos, Haylie sentou-se na cadeira e começou a limpar Martin. O lobo dele estava muito fraco, pois ela quase não o sentia.

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