O recado tinha sido claro: faça o seu serviço, que é dar bons conselhos.
Lucretia não foi grosseira com o tom de voz, mas na calmaria dela, firme o suficiente para que Jamil entendesse que ela não estava brincando.
— Rhys é não só o Alfa e o meu companheiro. Eu o amo e farei de tudo para que ele esteja aqui, ao meu lado, são e salvo.
— Eu compreendo, Luna. Farei os preparativos. Quando pretende partir?
— Amanhã, no mais tardar. — Ela falou.
— E seu pai ficará aqui?
— Sim. Não se preocupe, ele não vai dar um golpe e tomar o bando. Ele nem sabe que Martin está aqui.
Jamil assentiu com a cabeça, pediu licença e se retirou. Lucretia suspirou e massageou as têmporas.
Ela não era nenhuma inútil e sabia como fazer para lidar com assuntos de um bando, como uma líder. Tinha sido treinada para ser não só uma Luna, mas a que estaria na cadeira de maior poder dentro do clã. Então, ela precisava colocar as mãos à obra.
Cerca de uma hora e meia depois, ela foi até o quarto do Beta. Bateu à porta e esperou. Haylie foi quem atendeu e abriu um enorme sorriso ao vê-la.
— Agora podemos conversar melhor. — A jovem disse, enquanto Lucretia entrava e a porta era fechada. Martin estava na cama, com olheiras, mas muito melhor do que dias antes.
— Isso é. — Lucretia respondeu e olhou para o Beta. — Como se sente? Bem eu sei que não é, mas…
Martin soltou uma leve risada. Era evidente como a companheira dele e a Luna eram parecidas em alguns aspectos.
— Estou bem melhor. Não sinto que vou morrer.
— Já é um bom sinal, não é mesmo?
— Só espero que não seja a melhora da morte. — Martin brincou e Haylie deu-lhe um tapa no braço. — Ai!
— Não fala besteira, amor! Como pode falar um negócio desses?
Lucretia mais uma vez concordou com o que ouvia. Ela não gostava de Ben, não duvidava que ele fosse um problema. Mas não acreditava que ele era o mandante.
— Ele falou alguma coisa?
— Não. Mantém silêncio. Disse que não foi ele, que não sabe de nada. Isso quando foi preso. Depois, recusa-se a falar. — Haylie disse.
— Entendi. Falarei com ele depois. — Lucretia disse. — E depois, Martin? Depois de serem atacados?
— Eu não sei exatamente como, mas fomos parar em uma parte da floresta que eu não reconheço. O ar era venenoso, tinha wolfsbane. E Rhys foi ferido. Ele foi perdendo as forças. Não podia se comunicar. Nem eu. — Martin falou. — Eu cheguei a ligar, Luna. Não queria preocupar. Isso foi antes de estarmos realmente ferrados. Depois, não consegui mais contato.
Ele a olhou e esperou que Lucretia dissesse algo.
— Eu também fui levada do bando. Mas o Alfa Sheffer me ajudou.
— Kolby? — Haylie perguntou e fechou a cara. — Não confio nele, Lu.

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