A voz estava dentro de sua própria cabeça, mas… não era a voz dele. E por que ele chamaria por ele mesmo?
Curioso, Rhys arriscou.
— Oi?
Não funcionou, apenas o silêncio. Ele mordeu o lábio inferior por dentro. Talvez se ele…
“ — Oi?”
O coração de Rhys estava batendo acelerado, ansioso, enquanto ele esperava por uma resposta. Ele nem mesmo se dava conta de que os uivos estavam mais próximos.
“ — Rhys, é você? Consegue me ouvir?”
Como se atingido por alguma coisa invisível, Rhys deu um salto e olhou em volta, levando então as mãos à cabeça. Ele estava completamente confuso!
“ — Q-quem é você?”
Mais uma vez, Rhys precisou esperar.
“ — Corra!”
Apesar da urgência, a voz estava mais fraca do que nunca. Rhys não entendia o que estava acontecendo, mas ele resolveu confiar na voz. Seja lá o que fosse, estava querendo ajudá-lo, não era mesmo?
Ele não tinha ideia do quanto havia se afastado da cabana, perdido nos próprios pensamentos. Agora, que corria por aquelas árvores, os pés tocando na grama e na terra, alguma coisa dentro dele estava despertando. Uma urgência sem explicação.
Ao ver a cabana, ele viu também os lobos. Eles eram, como Harold disse, imensos. Porém, Rhys não tinha um referencial para afirmar que esses animais eram maiores do que o normal.
O sangue de Rhys congelou quando os lobos voltaram-se para ele. Um deles, um marrom, tomou a frente e levantou a cabeça, inspirando fundo.
Quando todos os lobos estavam no chão, alguns completamente inertes e outros ainda respirando, mas em agonia, Rhys olhou para si mesmo. Ele sentia-se outro, sentia-se poderoso, saudável, bem como nunca antes desde que despertou naquela cabana.
— Deu certo! Porra, deu certo! — ele falou, sorridente, quase dando pulinhos. — Seja lá o que você for, obrigado!
Porém, a felicidade dele não durou muito, pois ao virar-se, deu de cara com Harold, que olhava para o campo de batalha, aterrorizado — mas não tanto quanto ao olhar para Rhys.
As garras ainda de fora, o peito nu e banhado do sangue dos inimigos. E sua boca não devia estar em um estado melhor.
— Ha-Harold… — ele tentou falar, levantando as mãos em direção ao idoso. Macy apareceu em seguida, a mão debaixo do ventre.
— Ah, o que… Rhys? — ela perguntou. Ia aproximar-se, mas Harold segurou o braço dela. — Ele tem sangue, deve estar ferido!
— Não. Ele… — Harold engoliu em seco. — Ele é um deles.

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