Macy franziu a testa e olhou em volta, antes de virar-se para Harold.
— Se ele é um ser diferente, ele está do nosso lado. Acabou de nos salvar — depois de dizer isso, Macy aproximou-se com cautela de Rhys, que ainda estava surpreso com o que ele mesmo tinha feito. — Rhys? Você tá bem?
Ele, ainda confuso com o que tinha acabado de acontecer, deu um passo para trás quando percebeu que Macy estendia a mão para tocá-lo. Ela o olhou com uma certa mágoa, mas ele sacudiu a cabeça.
— Eu… eu não quero machucar… não sei o que…
— Tá tudo bem. Você não nos machucaria. Vem… — ela olhou por cima do ombro dele e ao redor — não sabemos se tem mais desses. É melhor você se abrigar, comer algo. Tá bem?
Rhys, como se fosse uma criança, aceitou as palavras e seguiu atrás de Macy, entrando na casa de Harold. Este o olhava ainda com desconfiança, mas ao mesmo tempo, com preocupação.
Fazia sentido, agora, a forma como o corpo de Rhys recuperou-se mais rápido do que o de uma pessoa comum. Ele não era comum, era um… Harold não tinha uma palavra. Ele não poderia chamá-lo de monstro, porque para ele, monstros eram criaturas com intenções malignas. Rhys era diferente, tinha poderes, mas não era malvado.
Como o Alfa não se transformou totalmente, não podiam dizer que ele era, também, um lobo. As garras agora já tinham se retraído, bem como os pêlos nas costas e a modificação nos pés. No entanto, os dentes permaneciam diferentes, mais alongados.
Assim que se sentou na cadeira, ele se encolheu para o canto contra a parede.
— Rhys, tá tudo bem. Somos nós — Macy insistiu e serviu comida em uma tigela com a colher. — Coma algo. Você gastou muita energia.
Depois que Macy foi embora, Harold e Rhys ficaram sozinhos na casa.
— Eu vou embora — Rhys declarou, após longos minutos em silêncio. Ele estava na cama, enquanto Harold permanecia sentado na cadeira.
— Por quê? — o idoso perguntou. — Lembrou de algo da sua… vida?
Rhys sacudiu a cabeça.
— Lobos aparecem aqui, não tem nada a ver com você. Então, não é você que nos coloca em perigo, e sim o contrário. Você nos protege. Agora, se quer ir para buscar saber quem você é, aí é outra história — o idoso apertou de leve o ombro de Rhys. — Mas se quiser voltar, saiba que tem uma família em nós. Macy, eu e… bom, o bebê!
No dia seguinte, Rhys livrou-se dos corpos dos lobos, enterrando-os longe, para que o cheiro não fizesse com que mais desses aparecessem ali. Pelo menos, não tão cedo.
Naquela noite, ele se foi. Macy chorou horrores, e ele prometeu que os visitaria em breve.
Seguindo as instruções de Harold, Rhys seguiu pelo caminho que o levaria até uma pequena cidade. Lá, ele poderia pegar um ônibus para uma cidade maior. O idoso lhe deu algum dinheiro que tinha guardado, ao que Rhys prometeu que devolveria.
Ao chegar na pequena cidade, no dia seguinte, quase na hora do almoço, Rhys estava exausto. Ele andou a noite inteira e queria apenas poder descansar um pouco e, sobretudo, beber água.
Enquanto parava em uma pequena barraca e pedia a bebida, um grupo de jovens se aproximou dele, com bastões. O vendedor encolheu-se.
— Ei, forasteiro!

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