— O seu Delta deixou claro para o batalhão o que pensa de mim quando um dos soldados demonstrou o mesmo pensamento que ele e houve uma briga. Se eu não estivesse ali, o que teria acontecido com o soldado que me defendeu? Seria punido? Provavelmente. Ou seja, Ben Duran é injusto. E traidor. Porque o que vai acontecer quando eu assumir o comando do bando, pai? Ele vai pegar os seguidores dele, do NOSSO exército, e me arrancar da minha posição?
Corrado sabia que as conjecturas de Lucretia não deviam estar longe da verdade. A pessoa responsável por liderar o exército precisava estar alinhada aos interesses do bando. Apesar de tudo, mesmo que ele ainda ficasse dividido entre manter Lucretia e deixar que Deidra assumisse — apenas para que a mãe dela ficasse contente —, o principal continuava: o bando era uma prioridade. E Lucretia nunca deu qualquer indício de que não estava no mesmo tom que ele, o Alfa.
O que tinha acontecido com a “fuga” dela, ele ainda não compreendia tudo. E, apesar de ter seu favoritismo, não seria injusto.
— Você está certa. — Ele falou, por fim. — Falarei com Ben.
— Já o demiti.
Lucretia cruzou os braços na frente do peito. Ela não estava desafiando o pai, mas sim cobrando dele que não a desmoralizasse na frente dos outros. Se ele mantivesse Ben, depois do que ela relatou, seria o mesmo que deixar que ele continuasse a ter a mesma conduta.
— Não se preocupe. Não vou reinstalá-lo. Vou mandar que se retire do bando.
— Não. — Lucretia falou e o pai franziu o cenho. — Não acho que seja uma boa ideia. Quer dizer, precisamos manter os olhos nele. Se ele sair, não poderemos fazer isso.
Corrado assentiu.
— Muito bem.
Ben entrou na packhouse e ele achava que o Alfa não levaria o que Lucretia falou à frente, no entanto, assim que a porta do escritório se abriu e ele viu o rosto do líder, bem como a filha dele ao canto, soube que não conseguiria se safar daquela facilmente.
— Alfa.
— Ben, sente-se, por favor.
Ele o fez e olhou na direção de Lucretia, como se esperasse que ela saísse. No entanto, ela não se mexeu. Ben limpou a garganta e voltou-se para frente.
— Alfa, eu acredito que temos um mal-entendido, por aqui.
Corrado era o Alfa, era ligado aos membros e, principalmente, àqueles que ocupavam cargos de confiança. Todos os sentidos do Alfa, mesmo que ele não fosse o mais forte entre os Alfas, ainda eram muito superiores aos outros, e ele sentia cada nuance de seus subordinados.
— Explique-se, então. — Corrado pediu. Aquele era o tratamento justo.
— Se não acredita que Lucretia diz a verdade, se permite que a tratem abertamente mal, não pode ocupar uma posição como a de Delta. — Corrado disse e viu Ben murchando. — Pode ficar no bando, pode manter a casa. Porém, não está mais na posição de Delta e nem à frente do exército.
Ben se levantou e olhou para Lucretia.
— E como eu vou me sustentar? Esse é o meu trabalho!
— Como os outros membros. — Ela respondeu. — Arrume um trabalho. Já tem a casa, não vai precisar procurar moradia. Receberá seu salário pelos próximos dois meses, isso te dá tempo de arrumar outro emprego.
Ben engoliu as palavras que queria soltar.
— Estou liberado para sair? — ele perguntou, tremendo. Lucretia olhou para o pai, que assentiu.
— Vá. E não cause confusão, Ben. Estou de olho em você.
Ele não disse nada, apenas se retirou. Ao sair do escritório, andou como uma flecha para longe. Deidra observou e viu ali uma oportunidade.

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